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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Run, Fred. Run!

And I just kept running!

A bem da verdade, o ano começou e ainda não corri um quilómetro que seja.
Mas corri a dia 30/12 os últimos 13kms do ano. O último treino longo do ano! E que bem que soube.

A coisa vai, as dores derivadas das lesões deixaram de me fazer companhia e o prazer de correr continua.

No final deste mês iremos ter o Grande Prémio do Fim da Europa e sempre serão 17kms.

Não sei se irei ter a companhia da Sandra ou não. Esta só irá se o tempo estiver de feição e não chover. Nesse cenário, a nossa corrida irá ser algo parecido com uma marcha mais rápida do que o normal devido à gravidez da minha cara-metade.

Caso o tempo esteja manhoso e a Sandra não participe, a corrida será isso mesmo, uma corrida. Do principio ao fim. Sobe, sobe, sobe durante cerca de 11kms e depois desce os restantes na direcção do Cabo mais Ocidental da Europa.

Seja em que necessário for, lá estarei para mais um evento na minha Serra!



domingo, 15 de novembro de 2015

Corre Jamor 2015

O Domingo acordou em tudo semelhante à restante semana.

O Sol brilhava descomprometido numa manhã cristalina e convidativa. O dia ia subindo no alto do seu vigor mantendo a temperatura ideal para enfrentar a aventura que nos levava ali aos três e a mim em particular. Ainda não eram 09h já estávamos no Estádio Nacional do Jamor, a caminhar para o local onde iria proceder à recolha do meu dorsal para a 6ª Edição do evento "Corre Jamor".
Ao aceitar o desafio do meu amigo Luís Estevão, estava também a comprometer-me com o maior desafio desta minha, ainda curta, carreira de corredor. Iria enfrentar a minha segunda prova de 10kms, mas com a variante de esta ser num sobe e desce constante, desenrolando-se num piso misto e que foi desde o asfalto, passando pela borracha da pista dos 400m do Estádio de Honra do Centro Desportivo Nacional do Jamor, a dezenas de metros em empedrado e vários quilómetros por pistas, caminhos e trilhos de terra batida, bem à fresca envolvidos pelo pinhal que rodeia a zona.
O levantamento do Kit de atleta aconteceu sem qualquer espera. Foi chegar e levantar o saco onde constava alguma publicidade, uma t'shirt técnica, o chip de controlo de tempos e o respectivo dorsal.
Um pouco depois encontro o Luís enquanto este se preparava para levantar o kit dele. Os cumprimentos da praxe e seguimos para o carro que estávamos ansiosos. Quer se dizer, eu estava. A Sandra e o Migas, não!
Chegámos muito cedo e essa espera aborreceu o Miguel. Ainda fizemos umas séries nas escadarias das bancadas do estádio até que foi horas do aquecimento geral dado por malta do Holmes Place. A bem de verdade, foi mais divertido do que técnico, mas serviu para acordar os músculos e por o sangue a correr com mais pujança e vigor. O Miguel é que não achou piadinha nenhuma àquela malta toda a tentar acertar numa coreografia demasiado estranha e descoordenada.

A partida foi dada às 10h30 sem atrasos.
Curiosamente, toda a ansiedade de há uma hora atrás era, naquela altura, uma mera recordação. Estava super tranquilo. Apronto o Strava e preparo a Playlist enquanto me vou mexendo para não arrefecer em demasia. Fazemos um minuto de silêncio em memória das vitimas do atentado de Paris e segundos depois ouve-se o tiro da partida.
Arranco bastante bem posicionado, bem colocado perto do arco de meta e à frente de quase 1700 atletas. O Luís, com quem entrara na manga da partida já havia encontrado o seu lugar ainda mais à frente, na busca do seu melhor tempo e objectivo pessoal.
Saio com um ritmo resguardado e comedido. Tinha ideia que a prova seria dura, com bastantes subidas e muito mais técnica do que a minha primeira e única experiência até então naquela distância. Sabia que o meu sucesso - e conseguir cumprir o meu objectivo - estava directamente relacionado com o ritmo com que iniciasse a prova e com que fizesse os primeiros dois ou três quilómetros.
Mas não é fácil um se controlar quando todos aparentam ir a fundo. No entanto, consegui manter o meu ritmo com rédea curta, mas por essa razão fui ultrapassado por centenas de participantes nos primeiros três quilómetros da prova... Até começarem as subidas, na verdade!
Saímos do Estádio de Honra para descermos na direcção da zona de canoagem num dos extremos do parque. Contornamos tudo e num ápice estamos a apanhar as primeiras subidas da manhã. E começou o meu deleite! A primeira rampa de gravilha que apanhamos leva-nos de novo a passar na porta do Estádio para seguidamente entrarmos nos trilhos de terra, ao quilómetro 3.
Na primeira subida que enfrentámos, a de gravilha, com cerca de 300 metros de extensão, comecei a ultrapassar malta. E foi assim até ao km3.5 para depois apanharmos uma descida até chegarmos ao km4, onde a vista era absolutamente brutal, com os olhos a pousarem em ambas as margens do rio, com ás aguas do Tejo tranquilas pelo meio, banhadas pelos reflexos de um belo dia de sol!
Neste ponto voltamos novamente a subir e eu volto a começar a ultrapassar companheiros que há uns minutos me tinham passado a mim. Muitos deles já caminhavam ao invés de correr... A subida terminou ao Km 5.4! Sempre a subir por trilhos e algum empedrado. Até aqui anda vencemos uma boa rampa que chegou bem perto dos 23% de inclinação - segundo o Strava - Bom, mas bom!
Os meus pés calcavam trilhos de terra batida desde o km3 e pouco ou quase nenhum asfalto haveriam de apanhar novamente. E sentiam-se bem. O motor a Diesel estava a começar a ficar quentinho e os pístons - entenda-se, pernas - mostravam sinais disso mesmo. A cada passada dada sentia-me mais leve. As subidas pareciam todas ao meu jeito e sinceramente só me lembro de subir... Pouco de cada vez, mas subia-se! As descidas serviam para descomprimir e abrir um pouco o passo, sempre com cuidado que calçando sapatilhas de estrada, a segurança que senti na passada nunca foi a melhor.
Nas rectas tentava "rolar" com o passo mais solto que conseguia e fui constantemente a ultrapassar gente. Lá volta e meia era ultrapassado por uma mulher-bala ou homem-bala... Mas alegrava-me o facto de que me sentia bem e, aparentemente, estava a dar conta do recado.
Ia atento à voz que me soprava ao ouvido os tempos por quilómetro que ia a fazer. Esta lá me ia dizendo: "último quilómetro a cinco minutos e...." E era o que me bastava ouvir!
O meu objectivo para esta prova era o de a completar num tempo inferior a uma hora. Se conseguisse baixar o tempo da Bimbo Energy Race tanto melhor mas sabia que isso seria virtualmente impossível. Já cumprir estes 10kms de piso misto, num rompe-pernas constante, era o desafio mais audaz a que me havia proposto nesta "cenaça" da corrida. Além de que seria um genéro de iniciação ao Trail e só isso era sinónimo que não podia comparar ambas corridas. Mas não tinha outra para referência.
De cada vez que a voz dizia "5 minutos", eu sabia que estava capaz, e mais perto, de cumprir o meu objectivo! Os segundos eram secundários e até metade da prova apenas me foquei em manter-me abaixo dos 6 minutos por quilómetro mantendo determinado ritmo e a passada o mais certa possível. Coisa complicada que é, percebi na altura, enquanto se corre no mato e em trilhos estreitos, com raízes e pedras, buracos, regos e outros pés que não os nossos com os quais nos temos que preocupar...
Haveria, ao Km5 um abastecimento líquido. Apenas água mas que aproveitei. Dei apenas uns quantos golos pequeninos e larguei a garrafa ainda não tinha deixado o empedrado. Esse maldito empedrado que foi o piso que mais me custou a vencer e ultrapassar.
A partir daqui e sentindo-me bem, comecei a pensar em fazer melhor do que até ali.



Comecei a correr com outro objectivo. O de melhorar os tempos por quilómetro que estava a fazer até então. Comecei a apontar para baixar dos 5 minutos por quilómetro mas tal acabei por não conseguir. Não é fácil com trilhos técnicos e sinuosos e malta a correr junto a nós. A segurança esteve sempre primeiro. A minha e a daqueles que ia ultrapassando, para não fazer ninguém tropeçar numa ultrapassagem mais forçada... Quando tinha que abrandar porque não conseguia passar em alguma subida ou outra zona, abrandava e esperava. Por vezes fui passado nestas alturas e acabava por seguir atrás desse atleta. Nos trilhos mais estreitos foi assim que geri a minha corrida. Mas, por várias vezes me vi obrigado a seguir num ritmo muito abaixo daquele que poderia levar.
Ainda assisti a uma queda de um companheiro que ia à minha frente. Não percebi se por câimbras se por outra razão qualquer, mas como ficaram logo dois companheiros com ele, nem parei. A bem da verdade, nem sequer abrandei o passo, tenho que admitir.
Meia dúzia de metros depois, nova rampa, curta e intensa, que fiz de passo mais curto mas certo, sem me permitir sequer abrandar o ritmo cardíaco. No topo desta já nem me lembrava mais do companheiro que havia ficado sentado na beira do trilho, nem do sofrimento e dor estampadas no seu rosto.
A determinada altura vejo a placa com indicação do KM 8, mas desta vez não esbocei sorriso algum. Estava colocada em plena subida e a única coisa que fiz foi um cerrar de dentes e meter na passada seguinte toda a potência que ainda tinha para dar.
Pensei para mim: "Se ainda tens forças, é bom que as esgotes nestes dois últimos quilómetros!"
E apertei ainda mais o passo, chegando a conseguir fazer 5:06/Km nesses 1000 metros seguintes mas sem conseguir descer abaixo da mítica marca dos 5 minutos ao Km!
Mais um bocadinho de rompe-pernas até ao final, sempre por trilhos de terra batida e sempre por um percurso muito bonito. A determinada altura, e ainda antes de entrarmos no último quilómetro, começamos a ver novamente o Estádio e toda a zona da meta por entre o denso arvoredo. Entramos no topo das bancadas e passamos por dentro da tribuna de honra, e que foi para mim um dos momentos altos e mais marcantes de toda a corrida. Contornamos o estádio, voltamos aos trilhos e uns metros depois estamos a chegar à entrada do Estádio de Honra, novamente.
Uma subida final ligeira a escassos metros da entrada no estádio. Levanto a cabeça após ultrapassar mais um companheiro e vejo o Luís, que, com o seu tradicional sorriso, me acena e com o polegar em riste me atira um:
"Boa corrida man, boa corrida!" - Ou algo assim...
E aqui sim, voltei novamente a esboçar um sorriso! Já o havia feito em várias alturas e principalmente quando passamos na zona da tribuna de honra com todo o estádio e festa, literalmente, aos nossos pés!
Estava a metros de conseguir finalizar a minha corrida e tinha-o feito cumprindo o objectivo a que me havia proposto!
Entramos no estádio com muita gente a assistir e temos mais 400 metros de Tartan até cortar a meta! Foram uns momentos intensos, tenho que admitir...
O ritmo naquela pista de borracha era o mais alto que conseguia naquela altura e o ambiente diferente de tudo o que já havia presenciado. Entro na última curva e a 75 metros da meta levanto os olhos para o cronómetro digital... Marcava 00:52:48! Sem grandes alaridos, mas também sem me conter felicito-me com uma palmadinha no ombro. Sempre havia conseguido o meu objectivo de terminar dentro da uma hora de prova. E por pouco não igualava o meu tempo da minha primeira prova, muito mais fácil que esta! Terminava a minha prova com o tempo oficial de 00:53:11!

O meu ritmo médio foi de 5:19 min/km o que foi uma boa recompensa pela meu esforço naqueles trilhos. Foi uma prova excelente, na qual me deu um prazer enorme em participar e à qual conto, sem sombra de dúvida, regressar no ano que vem!
E espero ter a companhia da minha companheira, que hoje não pôde participar por motivos de força maior. Mas que tenho a certeza que irá gostar da prova e do percurso tanto quanto eu gostei.
Até porque isto de correr tem a sua piada, mas acompanhado por quem se gosta, sabe ainda melhor!

O resumo final da minha participação resume-se ao diploma aqui ao lado.

Apesar de ter levado comigo uma fotografa profissional, não tive direito a uma única foto em plena actividade...
Assim não há condições, digo eu!

Passei depressa demais disseram as más línguas(!)

O próximo desafio é a Rota do Alpinista que já vai na sua 2ª Edição.
Dizem os autores da coisa que vai ser dura e tendo a concordar. Mais de uma centena de quilómetros com mais de 3000 metros de acumulado positivo a vencer não agoiram tarefa fácil, mas lá iremos de cabeça erguida e de peito aberto, enfrentar um dos maiores desafios do ano!
Cá virei depois dar noticias dessa tareia...

Vemo-nos por aí.
Abraçorros!

domingo, 27 de setembro de 2015

Global Energy Race - "A Estreia"

Lisboa corre pela Paz!
Este foi o mote da Global Energy Race que aconteceu Domingo em Lisboa e que aconteceu também e em simultaneo em vários países e cidades do Mundo.
Uma corrida solidária que nos levou, a mim e à Sandra, a percorrer os 10kms que separam a Praça dos Restauradores, no final da Avª da Liberdade, da Torre de Belém, onde terminou a corrida com toda a pompa e circunstância.
Para mim, esta seria a minha primeira prova a correr. Foi a minha estreia oficial no mundo das corridas.
Fui comprar uns ténis novos, todos xpto para o efeito e tudo(!)
Seria uma estreia para mim e uma estreia para a Sandra, que mesmo habituadíssima a correr, inclusive distâncias de Meia-maratona com alguma tranquilidade e com tempos por km muito bons, bem abaixo dos 5 minutos, nunca tinha participado numa prova "oficial" de corrida.
No entanto, a coisa não prometia ser fácil para ambos.

A Sandra não corria há umas semanas valentes e eu nunca tinha corrido na vida. A "cenaça" prometia para os meus lados!
Para tal, treinámos afincadamente e que nos fartámos para o evento;
Eu corri, na terça-feira passada e na passadeira lá do ginásio, cerca de 5.5kms em pouco menos de 40 minutos, e a Sandra fez uma corrida de 7kms no Sábado de manhã.

Estes foram os nossos treinos! Estávamos, por assim dizer, preparadíssimos para enfrentar aqueles 10kms como se de uma corridinha matinal se tratasse. Mas, no fundo, era isso mesmo!
O nosso entusiasmo era alto e a moral estava ao rubro! Felizes e contentes saímos de casa prontos para atingir o nosso objectivo, que no meu caso, passava por aguentar uma boa passada até final sem parar a meio e a Sandra de curtir uma corridinha tranquila e acompanhar-me, zelando pela minha conquista de tão audaz objectivo!

No caminho para a prova conhecemos o Ricardo, que também iria correr no evento. Tipo bem disposto e porreiro, mas só voltámos a falar já no final da prova, onde nos voltámos a encontrar.
A prova começou às 10h30 e após as primeiras passadas, uma onda amarela enchia os Restauradores, Cais das Colunas e Cais do Sodré. A corrida iria estender-se até Algés, passando pela Avª 24 de Julho e Avª Marginal e depois regressaria novamente até terminar na Torre de Belém.

Nós arrancamos junto com aquele mar de gente. No empedrado da Praça dos Restauradores encontrar uma passada certa não me foi fácil. O inicio foi intenso e rapidamente chegamos ao Cais do Sodré. A estrada alarga e o piso melhora. Começo a tentar controlar melhor a respiração e a passada de forma a ultrapassar a "dor de burro" que já sentia. Em frente ao novo edificio da EDP já tinha essa situação resolvida e já tinha encontrado uma passada confortável para a minha nula experiência. A Sandra mantinha-se ao meu lado, a dar-me algumas indicações sobre como e por onde passar alguns atletas mais lentos e acima de tudo, mantendo o "nosso ritmo" debaixo de controlo, não me deixando quebrar muito nem me deixando acelerar muito... Ia também indicando os kms que iam passando. Ambos de Headphones nos ouvidos, essas informações eram todas transmitidas por gestos.
Chega o final da Avª 24 de Julho e passamos junto à estação de Santos. Corriamos a bom ritmo, agora.


Surge a segunda zona de abastecimento líquido que também aproveitamos. Agarramos água e continuamos sem abrandar. Sentia-me muitissimo bem, e mesmo não sabendo quais os tempos que estavamos a fazer, conseguia perceber que ia a correr de forma e com um ritmo minimamente aceitável. As pernas continuavam a impulsionar-me para a frente e o trabalhar dos quadríceps de forma ritmada e eficaz proporcionava-me muito boas sensações, pelo que o prazer de correr ia aumentando à medida que os quilómetros e os minutos iam passando...



A determinada altura somos ultrapassados pelo Ricardo, que tinhamos conhecido na ida para a prova.
E também fomos ultrapassados por muitos outros logo nos dois, três quilómetros iniciais, mas começávamos agora nós a ultrapassar alguns corredores com a nossa passada ritmada e constante.
Começamos a apanhar alguma malta a andar e isso aumentava a minha motivação. O nosso ritmo era alto. Sabia-o, mesmo sem fazer ideia a que ritmo iamos! Só tinha a noção que íamos a correr bem.

E tinha essa noção porque sentia que a Sandra também não ia a "pisar ovos"...
Tinha-lhe dito algumas vezes que, se eu começasse a quebrar muito, para ela seguir no seu ritmo porque tenho a noção do quão desgastante pode ser um tentar ir num ritmo mais baixo que o seu "ritmo natural"... É tão ou mais desgastante que ir num ritmo mais elevado.
Eu iria sempre tentar manter o ritmo da Sandra, mas sabia que isso não seria tão fácil quanto dizê-lo. Felizmente que a minha parceira é isso mesmo, parceira! E manteve-se comigo, mesmo ao meu lado, até final. Mas eu também não facilitei e dei sempre o meu melhor.

A Sandra ia-me indicando os kms que passavam com sinalética de mãos, mas ao km6 pedi-lhe que o deixasse de fazer. Tinha ultrapassado a distância que tinha corrido na terça-feira e levava as pernas a trabalhar a full power. Sentia-me estupendo! Vivo, com os músculos vibrantes e parar de correr era a última coisa que pretendia ou que me apetecia naquele momento, mas sabia que precisava de manter o foco e a concentração. O ritmo mantinha-se alto, nunca baixou. Mantinha a respiração controlada e a motivação a tope. Corriamos agora em plena Marginal e passávamos o Km8. Esbocei um sorriso quando avistei a placa indicativa na berma da estrada. Já havíamos passado o companheiro Ricardo, mesmo que eu não o tenha visto, algures entre o km6 e o quilómetro que agora percorríamos.
Mantive o foco e a concentração o mais possível, mas ao mesmo tempo ia a desfrutar imenso. Ia realmente a tirar prazer do que ia a fazer, do que ia a viver. Da actividade fisica em si e do esforço que lhe está inerente, do sentir o corpo pujante de energia, da envolvente com todas aquelas pessoas a correr e outras tantas a assistir e acima de tudo, por o ir a partilhar com a melhor companhia do mundo! A Sandra ia ali comigo, a par comigo, a correr junto a mim. Ombro com ombro, quase sempre. A ajudar-me naquele meu desafio pessoal, solidária comigo. A não ser ela e não teria corrido como corri, não teria dado de mim o que dei, e nem sei se ali estaria se não fosse ela, se não fosse por querer ser melhor, por ela. Por ela e por mim, claro! Mas nós não somos só as nossas escolhas, como se costuma dizer. Somos também o que os outros são em nós. Podemos ser melhores ou piores, mas somos parte dos outros, como os outros são parte importante da nossa Persona!


A Sandra faz-me querer ser sempre uma pessoa melhor. Ser mais e ser melhor! E é essa a parte que a Sandra ocupa em mim, no meu coração. A Sandra faz-me querer superar-me a cada dia que passa, ser melhor a cada respiração que passa.
A Sandra é isso em mim, mas é muito mais também! É a minha "Musa" inspiradora!

Sem dúvida que não o poderia fazer da mesma forma sem esta companhia ao meu lado!
Esta corrida foi exemplo disso. Acabei a fazer uma média de 5.11 minutos por km, o que segundo diz a malta da corrida, é uma média muito boa para quem corre pela primeira vez.

Fazemos a subida do viaduto que inverte o sentido da corrida e nos leva novamente no sentido de Lisboa, para irmos terminar junto da Torre de Belém. No alto daquela curta subida estava marcado o km9! Lembro-me de sorrir e ao olhar para trás, para a Sandra que seguia a 1,5m atrás de mim, vejo-a a sorrir também! Tinhamos conseguido. Faltava somente 1km.
Estava realmente cansado já, mas com as pernas ainda pujantes de força. Tinha "atacado" aquela rampa sem intenções de abrandar e assim continuo até lhe dobrar o topo. A Sandra cola-se novamente ao meu lado e iniciamos a descida. Continuamos a passar algum pessoal. O ritmo mantinha-se vivo!

Corremos mais uns 600 metros e entramos na manga da meta. Passamos por baixo do grande arco azul e alguém nos diz que a corrida termina apenas uns metros mais à frente. Continuamos, seguimos a par! E finalizamos, mais ou menos de mãos dadas, felizes e realizados, com o relógio digital a marcar 52 minutos e alguns segundos de prova.

Eu não cabia em mim de contente.
Tinha conseguido cumprir o meu objectivo e tinha-o feito num tempo que não achava ser possível conseguir, tendo terminado a prova em menos de 1 hora.
Estava felicíssimo. Mas melhor ainda foi perceber no sorriso da minha companheira, o orgulho que ela sentia em mim após a nossa "corridinha". Tinha superado, não só os meus objectivos, como também os melhores prognósticos dela para a minha prestação de estreante!
E essa é a sensação que quero experimentar em todos os momentos das nossas vidas.
Fazer algo de que se gosta, deixando quem se gosta, orgulhoso de nós e das nossas conquistas e realizações, sejam elas pessoais ou colectivas, desportivas ou profissionais.

Esta prova aconteceu porque a Sandra ganhou duas inscrições para a mesma, mas, como se costuma dizer, tudo acontece por uma razão!
Os desafios que assumi para um futuro que se aproxima, o nível de exigência que estamos a introduzir nas nossas prestações ao nível das bicicletas e respectivas provas e outras "brincadeiras" que pretendemos vir a concluir num futuro breve, obrigam o nível e intensidade dos treinos a aumentar significativamente.
Felizmente, descobri que gosto, realmente, de correr!
E ainda bem, porque esta corrida foi a primeira de muitas outras que estão para acontecer... Não necessáriamente "provas" no verdadeiro sentido da palavra, mas corridas "desorganizadas" e treinos mais duros e mais longos que estes 10kms.
E até já se pensa em realizar um ou outro "Trail", mas sobre isso, tudo a seu tempo!

PS: Um obrigado a quem de direito, pelos conselhos na escolha dos melhores ténis, os Adidas Supernova Glide Boost.
Sem as tuas dicas nunca me teria sido possível usufruir de tal conforto ao nível dos pés, durante e após a corrida. Verdadeiras pantufas, eficazes e no "size" certo. Sem sombra de dúvidas, com grandes responsabilidades no prazer e conforto que retirei desta corrida.
Mil obrigados pela paciência. 

E prometo que da próxima já terei em consideração a questão da "1ª camada"!


A crónica da nossa corrida vista e sentida pela Sandra, pode ser lida aqui... E aconselho!

Vemo-nos por aí.
De bicicleta ou a correr(!)