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domingo, 14 de junho de 2015

VIDEO : GR22 - The adventure of my Life

O filminho do que foi a minha aventura pelos trilhos e caminhos da GR22, a Grande Rota das Aldeias Históricas de Portugal.

A crónica completa pode ser lida nos posts imediatamente anteriores... 




BTT em estado bruto, selvagem e inóspito... E um calor absurdo, insuportável...

Uma aventura exigente que me levou de vencido, como nenhuma até à data!

O meu conselho a quem tente esta Grande Rota, escolham meses do ano menos quentes. Finais de Abril e princípios de Maio serão as melhores e mais sensatas datas...


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GR22 : The Commitment
GR22 : Last preparations
GR22 : Day One - The beginning
GR22 : Day Two - The beginning of the End
GR22 : Day Three - Conclusion

Abraçorros!


Vemo-nos por aí!


Abraçorros

Frederico Nunes "Froids"
@2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

GR22 : Day three - Conclusion

GR22 - A Grande Rota das Aldeias Históricas de Portugal
A true self-supported bikepacking adventure

Day three - Conclusion

Acordo às 5h45am com um nascer de dia simplesmente radiante. O nascer do Sol que aconteceu uns minutos depois foi com o mesmo fulgor e intensidade com que tinha desabado o céu apenas umas horas antes...


Mas o meu estado geral mantinha-se idêntico à tarde do dia anteirior. Uma lástima.
De todas as formas tinha sobrevivido à noite e precisava agora de me fazer ao caminho até uma povoação onde de alguma forma, pudesse pedir ajuda na forma de táxi.
O ânimo inicial de um belo amanhecer, de um sentir-se vivo e em paz com o que o rodeia, depressa desapareceu quando percebi que não tinha forças para andar 20 metros seguidos sem ter que parar com dores nas pernas e restante corpo como se me tivesse passado um TIR por cima.
Se fosse a subir, parava a cada dois passos. Só me conseguia manter em cima da bike se fosse a descer pois não conseguia forças para efectuar mais de 10 rotações nos cranks sem ter que parar, mesmo no plano.
Mexer-me, fosse o que fosse, era uma tarefa brutal.
Fui andando marcando objectivos em distâncias curtas e tentava parar para descansar somente nesses pontos. Não estava sequer calor, eram 6h30am. Mas eu precisava constantemente de parar para descansar. E cada vez me sentia mais fraco. A cada passo que dava sobrava-me menos força para o passo seguinte.

Consigo chegar à estrada de asfalto e agarro-me aos mapas do GPS.
Tinha duas opções.
A primeira, seguia o traçado da Rota direito ao povo de Juízo e aí tentaria arranjar um táxi desde um café mas caso não houvesse nada, teria que seguir até Marialva, sempre por caminhos de terra, sem viva-alma por perto.
Na segunda, seguia pela estrada de alcatrão até à primeira povoação que encontrasse e que o mapa mostrava ser Madalena, a uma dezena de quilómetros de distância.

Sem hesitar, optei pela segunda. Essencialmente por uma questão de segurança.
Se me desse o fanico por completo haveria de ser à beira da estrada onde seria mais fácil de me verem. Esta foi a ideia principal mas também pensei que seria mais fácil encontrar um café numa povoação de beira de estrada, ainda que pequena, do que numa povoação perdida no meio do monte e que tem apenas três ou quatro casas. E se Madalena não tivesse nada, a próxima povoação seria sempre mais fácil de alcançar que Marialva. E por estrada, os solavancos eram quase nulos o que permitia algum conforto em cima da bike.

Cheguei a Madalena ainda não eram 7am e perguntei se havia café ao primeiro senhor que vi. Havia e deveria estar quase a abrir, disse. No final do povo, última casa à esquerda.
Sigo, a pedalar, até chegar à última casa da aldeia de Madalena.
Paro em frente à porta, do lado oposto da rua, num dos bancos de cimento que lá estavam.
Não tinha conseguido fazer nem mais 5kms.

O senhor Francisco Sequeira, presidente da Junta de Freguesia de Madalena durante vinte anos e actual dono do café onde me encontrava ouve-me atentamente enquanto lhe conto a minha aventura. Serve café a mais dois clientes habituais, mas volta a centrar a sua atenção na minha situação assim que pode.
Expliquei-lhe o que se tinha passado e que não tinha condições fisicas para continuar e que precisava de um táxi até Sortelha. Ele percebeu e tratou de me ajudar, inclusive guardaria a minha bicicleta se caso fosse preciso.

"Liga para o teu cunhado, Josefa, e pergunta-lhe onde é que ele anda" - resmunga para a mulher que chegava de dentro do mini-supermercado que mantinham na loja adjacente ao café.
"Ele é taxista e todos os dias passa aqui a esta hora. Nem sei como é que ainda não passou" - Não parava de me dizer.

O cunhado do Sr. Francisco lá aparece mas está ocupado com outro serviço. Falamos 2 minutos e diz-me que vai mandar vir outro taxi de Pinhel, mas uma carrinha, para que possa levar logo a bicicleta.
Eu agradeço tantas vezes quantas posso e ele segue à vida dele.

Fico à beira do café, que é mesmo à beira da estrada, onde quase não passam carros, em conversa com um fulano que deveria ter a mesma idade que eu e com o Sr. Francisco. A conversa deve ter demorado quase uma hora e terminou quando chegou o Vitor dos Táxis de Pinhel, como se auto-proclamava.
Ao volante de uma Mercedes grandalhona vinha um gajo mais ou menos da minha idade, bonacheirão e de sorriso aberto e honesto.
Enfio a bicicleta para dentro da mala, volto a desfazer-me em agradecimentos, despeço-me das pessoas que comigo passaram aquela hora e meia e que muito me ajudaram e arrancamos direitos a Sortelha, a mais de uma centena de quilómetros de distância.
A conversa foi descontraída o suficiente para o tempo passar relativamente rápido.

Mas assim que tiro o pé fora do táxi em Sortelha, estava-me reservada mais outra lição.
Ainda não tinha tirado a bicicleta para fora da mala da Mercedes já a senhora dona do café/restaurante estava aos berros comigo que aquilo não era coisa que se fizesse e que assim que acabasse de almoçar iria ligar para um familiar que era GNR para que me rebocassem a carrinha...
Um filme do além e eu sem perceber grande coisa.
Mas lá percebi e lá tive que me desfazer em desculpas!
O estacionamento onde havia parqueado o carro era privativo do restaurante e eu nada disse que iria ali deixar o carro tantos dias sozinho. Não avisei ninguém, nem disse nada e o mal foi só esse. Como aquilo é uma aldeia, começou a fazer confusão na cabeça das pessoas um carro estranho ali estacionado, como que abandonado.
Portanto, se calho a demorar mais duas horas, quando chegasse a Sortelha não teria carro para regressar a Lisboa. Muito menos caso tudo tivesse corrido bem.
Bastava ter dito ao que ia que até sitio melhor me tinham arranjado!

Enfim... Nada poderia correr mal, certo?!
Mas, que poderia ter corrido bastante pior, realmente isso podia.

Era aventura que eu desejava, foi aventura que a vida me concedeu.
Vida vivida como ela é, por vezes brutal, inóspita ou simplesmente menos cómoda.
Mas como já tive hipótese de comentar com uma ou duas pessoas, enquanto a coisa correu bem, adorei cada segundo e absorvi o que pude e mesmo quando a coisa começou a ficar feia e descontrolada, senti e vivi momentos que jamais esquecerei, que me marcaram e que seguirão para sempre comigo.
Uns dificeis de explicar, de racionalizar sequer, demasiado íntimos, pessoais e introspectivos, outros mais latos e abrangentes mais também difíceis de verbalizar.

A minha viagem foi brutal.
Aliás, a viagem é brutal!
E até ao ponto onde me  vi forçado a desistir, as paisagens são fabulosas. O percurso foi engraçado embora pense que tenha realizado a parte menos interessante em termos paisagísticos. Mas vale muito a pena e passa por sitios lindíssimos e tem um valor histórico muito interessante.
Pude constatar in loco que é realmente exigente, mas vale sem questões, uma visita. Noutros moldes, talvez, mas certo é que conto regressar.
A époco do ano, sem dúvida, finais de Abril, principios de Maio.

Aquilo é quente, pá! Aquece mesmo!

Vemo-nos por aí.

Abraçorros,
Frederico Nunes "Froids"
@2015




domingo, 7 de junho de 2015

GR22 : Day Two - The beginning of the End

GR22 - A Grande Rota das Aldeias Históricas de Portugal
A true self-supported bikepacking adventure

Day Two - The beginning of the End


A noite, ao contrário do que previa, foi calma e tranquila, em tudo à semelhança do dia com que fui brindado assim que abri os olhos, já passava das 7am. Num ápice arrumo o pouco que trago e preparo uma dose de arroz com sultanas. Um género de arroz doce manhoso mas que providencia um bom pequeno-almoço. Junto uma barra e uns frutos secos e estou despachado.

Enquanto tragava o pequeno-almoço pensava no dia que nascia e o que fazer com ele.
Sabia, à saída de Castelo Mendo, que teria pela frente uma das etapas mais rolantes, mas para cumprir a distância estipulada teria que vencer, nada menos ou nada mais que, 160Kms!


Embora já o tivesse feito antes, era uma distância que sabia praticamente impossível de vencer naquelas condições. Tendo que me preocupar com navegação, carga extra, abastecimentos liquidos sabe-se lá onde, etc...
Tudo isso mais a incerteza de que caminhos iria encontrar pela frente obrigavam-me a ter a plena consciência de que seria virtualmente impossível, mas ainda assim arranquei com a moral a tope, para ir, pelo menos, tentar cumprir os 145Kms que tinha, em casa, definido como distância para este dia.

E assim segui.

Sentia-me bem, tinha dormido bem, o dia estava limpo e aparentava estar mais estável. Tudo corria sobre rodas.
Novamente a pedalar atrás das ilusões, o rabujento motor diesel foi aquecendo e bulia agora a toda a força.



Os caminhos foram aparecendo, ora fáceis e rolantes, ora maus a obrigar a constante atenção, mas na sua maioria, com bom piso. E foi rapidamente que cheguei a Almeida, mas não sem antes ter que trepar os 300m de acumulado na subida a esta povoação, todos de uma virada, durante cerca de 2.5kms por uma pista de empedrado pequenino, massacrante.


Mas lá cheguei e subo ao centro da vila muralhada à procura de duas coisas.
Um café, mas mais importante, um sitio onde levantar dinheiro. Com as pressas não levantei dinheiro antes de sair de Sortelha e os 15€ que levava comigo já tinham ido quase todos em águas, minis e gelados.
O jardim principal da vila estava enfeitado pelas crianças da escola lá do sítio e uma das ruas forrada a chapéus de chuva de várias cores e tons. Engraçado e insólito.



Saíndo de Almeida, o objectivo principal passou a ser alcançar Castelo Rodrigo. inadvertidamente, acabei por ir dividindo as distâncias totais a percorrer em pequenos sectores pois facilitava-me o trabalho de gerir àgua, cansaço, cabeça, tudo. No entanto, os caminhos bons do início foram substituídos novamente por caminhos menos bons, de passo mais dificil, mais lento e por vezes bem mais doloroso.














A Castelo Rodrigo cheguei pouco passava das 12am.
Subi à Igreja e ao Castelo para depois descer e tomar o abrigo fresco de uma esplanada. Uma daquelas esplanadas típicas destas aldeias, quem tem tudo para turista ver mas nada que comer. Nem uma bifana, nem uma sandes, nada, nadinha!



Quando perguntei ao rapaz se tinha alguma coisa para comer, respondeu-me que para petiscar só em Figueira de Castelo Rodrigo, meia dúzia de quilómetros montanha abaixo....

"Naaaa" - Pensei eu!

"Então, olhe, dê-me um Corneto de morango, uma coca-cola e uma garrafa de água de meio litro, fresquinha, por favor." - Respondo depois de uns segundos de silêncio.

Serviu-me e fui sentar-me na esplanada, à sombra.
No entanto, devo confessar, o que me apetecía mesmo era um bitoque com uma bruta salada, uma cola fresquinha a estalar e um Corneto sim, mas como sobremesa.
Não me apetecia nada, por outro lado, ir me meter a aquecer água para preparar um prato de lentilhas de sabor duvidoso e quentes, demasiado quentes e pesadas para o dia que estava.

Daí que, apesar de ter estado quase duas horas parado à sombra, apenas comi umas barras e petisquei uns frutos secos, além do geladinho já mencionado.






Nesta esplanada soube da temperatura no exterior. 42º comentaram uns emigrantes/turistas da France que tinham entrado pela porta à uns minutos. Após isto, perdi-me uns momentos a fazer contas à quantidade de água que já tinha bebido e surpreendi-me com os valores deste e do dia anterior. Tinha consumido perto de 11L de água no primeiro dia e no segundo e até ali, um pouco mais, indo mais perto dos 13L.
Mas as horas iam passando e eu, sem pensar muito, ou melhor, sem pensar de todo, arrumo tudo e volto a pegar na bicicleta com o objectivo de chegar a Marialva.

Larguei o fresco da esplanada de Castelo Rodrigo eram 14pm.

E cerca de 15kms depois estava sobre a Ponte da União, acima das águas do Côa.
Este foi o ponto de viragem. Foi o principio do fim, literalmente, já que não terminei de cumprir os restantes 20kms até Marialva. Bem, nem cheguei à povoação de Juízo tão pouco, a pouco menos de meia dúzia de quilómetros de distância.



Mas deixai-me tentar explicar o que acontceu...
Cheguei a este ponto do percurso eram 15pm, e foi a essa hora que iniciei a grande subida da parede oposta do vale onde estava. Uma língua de asfalto rugoso, terrivelmente brilhante, quase incandescente debaixo daquele calor todo.


E que calor. Além dos 40 e tal graus, estava um ar pesadão, abafado, espesso.
Trovões ribombavam já ao longe. Podia ouvi-los ainda sem os ver.
A onda de calor que emanava daquela tira de asfalto chegava-me ao peito e impedia-me de respirar enquanto empurrava a bicicleta de cabeça baixa. Tinha que parar de andar e levantar a cabeça para conseguir algum ar respirável e que não me queimasse os pulmões de forma atroz a cada inspiração.
Os pneus arrastavam-se no alcatrão quente com aquele típico barulho de borracha a derreter e a colar no chão. Parecia que estava dentro de um forno em lume alto. Escorria suor de forma mais intensa do que se tivesse uma torneira aberta por cima da cabeça.
Já em piloto automático consigo largar a linha de asfalto para entrar novamente em caminhos de terra. Mas a subida não termina, abranda de inclinação mas acaba por aumentar de intensidade devido ao piso que piora.
O meu organismo acaba por ceder e começo com vómitos. Tudo o que ainda me restava de fuel estava agora espalhado no meio do trilho. O calor não amainava e eu não conseguia arrefecer um motor cada vez mais quente.
Tinha perdido as forças de uma forma avassaladora. Custava-me dar dois passos seguidos a empurrar a bike. O meu corpo queimava por dentro e por fora. Os músculos gritavam-me dentro da cabeça dores absurdas, como não me lembro de alguma vez ter sentido.


O objectivo passou rapidamente a ser encontrar um sitio cómodo para parar e preparar-me para passar a noite. Isto eram 16pm, sensivelmente. E de uma sombra onde me pudesse abrigar, nem sinal.
Era impossível para mim continuar naquela condição.
Empurrei a bicicleta para o lado e sentei-me encostado a umas telhas empilhadas à beira do trilho.
Não conseguia dar nem mais um passo.



Do sitio onde me deixei cair avisto um poço e ao lado uma pequena casinha de guarda de materiais do campo, mas não me consigo arrastar até lá. Nem tento, pelo que me deixo ir ficando pelo primeiro sitio que encontrei e que até determinada altura me protegeu. E foi aqui também que me inteirei completamente da situação que tinha em mãos e da possível gravidade da mesma.


Um bocado depois ligo para casa e explico o que se estava a passar. Mais ao menos, claro.

O meu pai de imediato se prontificou a arrancar para cima para ir ao meu encontro a Juízo, mas eu não saberia se lá chegaria pelo que combinámos que eu entraria em contacto quando decidisse o que fazer ou se precisasse de ajuda.
Mas naquela altura o que eu sabia era que dar mais um passo estava fora de questão e que a travessia tinha acabado ali. Precisava de dormir e que amanhã logo veria o que faria. Nem sequer sabia se estaria em condições de andar no dia seguinte. Tinha que descansar antes de tudo.
Eram as únicas ideias e pensamentos que, naquele momento, conseguia racionalizar.
Nos montes à minha volta eram visiveis as colunas de chuva, mais escuras, no horizonte. Os trovões caiam agora a todo o meu redor, com muito maior frequência e com uma intensidade absurda.
Sabia que corria o risco certo de vir a apanhar chuva mas apenas me preocupei em tapar a mochila com a capa impermeável e vestir o saco de bivaq, também ele impermeável, ao saco-cama.
Enfiei-me lá dentro e tentei dormir.

Começam a cair as primeiras pingas uns minutos depois de me ter deitado. As primeiras caiam em cima da capa impermeável do saco-cama com um barulho harmonioso, quase romantico, tranquilizante.

Mas foram aumentando progressivamente de intensidade para passar a cair com a mesma violência com que continuavam a ribombar os trovões em meu redor.
Completamente enturpecido toma a decisão de me ir abrigar convenientemente na tal casinha que já tinha visto anteriormente. Indo buscar forças ao instinto de sobrevivência, saio novamente para fora do saco-cama que fecho rapidamente dentro do bivaq para que não se molhe, visto o meu impermeável, calço os sapatos já completamente encharcados e meto a mochila às costas. Pego na esteira em conjunto com o bivaq e arranco disparado, a corta mato, direito ao que aparentava agora ser a minha salvação.
E foi mesmo!
Uma casinha seca, vazia e que me permitiu uma noite calma e de alguma forma revigorante.
A bike ficou caída no mesmo sitio onde estava desde que a deixei cair para o lado.

Tento comer alguma coisa, mas sem sucesso. Não entra nada. Se forçar, sai.

Mantinha água comigo e era isso que me apetecia. Água. E bebi à vontade durante toda a noite.
Por volta das 22pm o meu pai, preocupado, liga-me. Arranca-me já do sono.
Pergunta-me, "Como está o tempo aí?!"
Respondo-lhe sem levantar a cabeça da esteira, "Chove de cara#$!"&/"

Mas depois de lhe explicar que já estava abrigado e protegido, lá descansou. É Alpinista e montanheiro experiente e habituado às agruras das aventuras no meio dos montes e Montanhas, e tranquilizou-se um pouco mais quando percebeu que eu tinha a situação minimamente controlada e que não teria que passar a noite realmente ao relento, encharcado que nem um texugo debaixo de uma tempestade que valia Alerta Amarelo nas informações da Internet.

Por esta altura também já tinha recuperado algum descirnimento e já tinha também traçado um plano para me pirar dali para fora e que consistia em chegar a Juízo ou outra povoação qualquer e chamar um táxi de regresso a Sortelha. Se tivesse que deixar a bicicleta para trás, trataria de a vir buscar depois.
Por isso ficámos combinados que eu daria notícias logo de manhã assim que acordasse.

Volto a sentar-me na esteira e enrolo um cigarro. Continuava a trovejar e a chover copiasamente lá fora.

Volto a beber mais água, mas essencialmente mantenho-me inerte, absorvendo a intensidade daquele momento enquanto o tabaco arde completamente na murtalha, quase sem o chegar aos lábios.

Assim que volto a encostar a cabeça na esteira, adormeço de imediato.



Continua aqui...









sábado, 6 de junho de 2015

GR22 : Day One - The beginning

GR22 - A Grande Rota das Aldeias Históricas de Portugal
A true self-supported bikepacking adventure.

Day One - The beginning


A semana que antecedeu o meu arranque para a Grande Rota das Aldeias Históricas de Portugal não foi de todo fácil. O muito trabalho e o pouco tempo disponível não me permitiram a preparação e atenção que a aventura merecia. No entanto, Sábado estava a sair exactamente à hora que tinha pré-programada. Às 7am estava a fazer-me ao caminho, mas ao invés de estar a sair de Sortelha como programado, estava a sair de casa, em Oeiras.




Quando cheguei a Sortelha pouco passava das 10am e estacionei o carro no primeiro sitio que vi, em frente a um café/restaurante e que tinha inclusive uma sombrinha livre.
Neste café e depois de preparar tudo, comi mais qualquer coisa, bebi uma coca-cola, café e arranquei. Não disse nada a ninguém, não avisei ninguém que ali iria deixar o carro cinco dias seguidos, nem tal necessidade me passou pela cabeça. Mas Sortelha é uma aldeia e como boa aldeia que é, qualquer coisa fora daquela rotina é estranha. O meu carro, que ninguém conhecia, entrava claramente nessa categoria...

Largando este povo quase às 11am deixava-me numa situação complicada para cumprir o meu objectivo no que tocava às distâncias diàrias a percorrer. Mas foi com uma boa moral que me fiz ao caminho. O chip já estava no modo "aventura" e tudo foi acontecendo tranquilamente, sem pressas. As horas já não faziam tanto sentido, ou pelo menos preocupar-me com o tempo já não fazia tanto sentido.


Os primeiros quilómetros ajudaram a esquecer tudo o resto. Pareceu ser sempre a subir até ao Sabugal, onde parei para almoçar, pertinho das 12am. Essencialmente boas pistas, bosques de carvalhos a providenciarem belas sombras e caminhos mais ou menos fáceis. Mas de elevada exigência física, já que todas as subidas são fortes, empinadas e algo extensas. Começava a desenhar-se o que supunha ir ser a rotina das dias vindouros.

Sempre que podia abastecia de água. Quando cheguei ao Sabugal, 18kms depois de ter partido, já tinha os 3L de capacidade do camelbak cheios de ar. E esta havia de ser a rotina maior. De povo em povo, de fonte em fonte, à procura do milagroso líquido.
No Sabugal almocei e falei pela primeira vez com o meu primo Tiago que disse que teria o 110 disponível para me ir buscar se assim tivesse que ser. Ri-me e disse-lhe que não havia de ser preciso, mas afinal estive bem perto de me ver obrigado a tal. Mas disto, nem eu nem ele desconfiávamos.



Volto a parar na barragem de Alfaiates, ainda antes da aldeia com o mesmo nome. Os dois quilómetros que antecederam esta paragem foram muito duros, literalmente a empurrar a bicicleta por pseudo-caminhos entre muros que não viam pegadas de gente ou de bichos à vários anos.
Trabalho árduo em progredir no terreno e quanto mais lento eu seguia, mais longe ia ficando do objectivo final para este dia, Almeida.
Mas na barragem de Alfaiates e à sombra fiz uma paragem mais demorada, onde fui inclusive a uma banhoca. Eram perto das 14pm quando aqui cheguei e o Sol e o calor estalavam a pino e inclementes sob um céu muito azul.
No entanto, o tempo mostrava-se instável. Conseguia perceber os muitos e pequenos farrapos de algodão branco, inofensivos, a acumularem-se no horizonte, ganhando corpo e um tom mais acizentado e pesado.
Paro novamente no café da aldeia de Alfaiates, onde bebi um mini fresquinha que me soube pela vida e atesto novamente de água, agora atesto também os cantis, já ambos quase vazios.


Uma horta e couves à mão de semear fez-me regressar no tempo algumas horas atrás e rever mentalmente uma determinada conversa, e a bem da verdade e a ter que ser, acho que preferia correr atrás de um javali ou tentar apanhar tordos! 
Do que um gajo se vai lembrar, eheheh...

Por esta altura não tinha bem noção do calor que estaria eventualmente.
Comecei a tomar consciência disso ao ver a cara das velhotas sentadas nos bancos à sombrinha quando eu passava por elas e lhes deitava um "Boa tarde"...



Depois do "Boa tarde" de resposta todas elas me atiravam a mesma frase, a mesma admiração;
"Oh menino, de bicicleta por aqui? E com este calor?!"

Na maioria das vezes, sorria, e seguia viagem. Em duas delas, sentei-me ao lado das velhas e descansei. Que sossego e paz têm aquelas alminhas à disposição!
Durante as curtas conversas que tive com algumas das poucas pessoas com que me cruzei, ninguém conhecia o percurso, ou tinham apenas uma vaga ideia do mesmo, não costumavam ver muitas bicicletas e mesmo malta a pé, muito pouca. Apenas a referência às Aldeias Históricas lhes fazia algum sentido.
Um percurso ainda muito jovem, em claro contraste com a vivência daquelas gentes e idade daquelas pedras.



Sigo junto à ribeira de Alfaiates até à povoação de Rebolosa, para depois ir junto do rio Cesarão até Vilar Maior, sempre por caminhos exigentes, fechados, agressivos e lentos.





A aldeia de Freineda serviu de ponto de passagem do Côa. Castelo Mendo estava agora a poucos quilómetros de distância e face às horas, tinha já definido esta como destino final do dia. Não iria chegar a Almeida ainda com luz do dia e não tinha levado mais luz que o meu frontal. Daria eventualmente numa situação de emergência, mas não era de todo o caso e optei por procurar um bom local para pernoita na povoação de Castelo Mendo.







A última subida a este povo foi brutalissima. Para mim, um disparate, mas pronto. Umas paredes inclinadíssimas para ir ganhar uma porta medieval numa zona das muralhas que está cheia de lixo e mal tratada. Muito mais lógico ganhar a entrada principal da vila pela estrada que já se levava, mas pronto, admito que fosse o cansaço já a falar mais alto.
A vila de Castelo Mendo é muito bonita, bem tratada e convidativa, com umas vistas sobre os montes e vales vizinhos que são qualquer coisa, principalmente ao pôr do sol que se mostrava em tons rosáceos e alaranjados com elevado fulgor.

Ainda antes de ligar para casa, encontrei o lugar ideal para passar a noite, na rua do Tribunal, abrigado debaixo do alpendre da casa Nº7.
Julgava que iria ter trovoadas e talvez chuva por companhia durante a noite. O tempo tinha vindo a fechar um pouco, percebia-se a electricidade estática a crescer no ar, carregado e abafado, aquele ar típico das trovoadas de verão do interior.
Algum vento compunha o serão.

Enquanto preparava as coisas apareceu a anfitriã da familia Costa, senhora da casa em frente e à qual tratei de explicar o que estava ali a fazer. Fez-lhe um bocadinho de confusão, mas lá percebeu! Tinha dois filhos, o José de 12 e o Marco, bem mais novinho. Foram a minha companhia durante pouco mais de uma hora. O José tratou logo de ir buscar as suas bicicletas para vermos os pneus que estavam vazios e que enchemos com êxito. Se estivessem furados iria dar mais trabalho, mas também, tinhamos tempo!
Quando aqui parei pouco passava das 19h30pm e as 21pm já os putos tinham ido jantar e já eu me estava a enfiar dentro do saco-cama, de janta comida e tudo tratado, inclusive atestado de água com 3 garrafas de 1.5L frescas que o José me trouxe da arca frigorifica da mãe!


Depois de jantar meti-me a fazer contas.
Hoje tinha concluído somente 80kms entre Sortelha e Castelo Mendo. 80 dos 95kms que tinha estipulado para o dia de hoje! Para estar dentro dos prazos que tinha definido teria que ter alcançado, pelo menos, a povoação de Almeida, a 15kms de distância.

Se tivesse partido às 7am, ao invés de partir às 11am, claramente que teria dado para chegar a Almeida, pelo que mantinha a moral em alta e o cansaço proveniente de um dia duro de pedal era minimizado por essa espectativa ilusória de que são feitos os sonhos.
A carga que trazia às costas era perfeitamente suportável e vinha estável. A bike e respectivas mudanças perfeitamente acamadas, sem saltos e os pseudo-alforges a aguentar na perfeição.
Até o simples facto de estar a dormir no alpende de uma casa com o meu Nº de escola primária e secundário, o 7, parecia um desigino do destino favorecendo a empresa, que esta minha aventura tinha tudo para correr bem e que absolutamente nada poderia correr mal.

Hoje, já em casa e no conforto do sofá, garanto-vos Amigos, como são boas e confortáveis as espectativas e as ilusões!


Continua aqui...



sexta-feira, 5 de junho de 2015

GR22 : Last preparations

Tudo mais ou menos alinhavado...
A bicicleta já ostenta os apetrechos adicionais e todo o material, ou quase, já se encontra reunido ficando a faltar ensacar. No entanto, tenho andado a mil para conseguir ter as coisas minimamente prontas a tempo de arrancar Sábado o mais cedinho possível, como já referi aqui mas muitas coisas das quais queria ter tratado não tratei ou não vou conseguir tratar e outras tive mesmo que alterar.

Hoje, no entanto, pouco passava das 19h e já tinha a bicicleta pronta. Digamos que não é nada mau, nem que isso seja assim tão importante, mas sempre dá mais alguma paz de espírito. E simples mais simples não consigo. Um suporte traseiro, um fuelbag e um handlebar bag do mais simples que pode existir.

Os dois cantis têm finalidades diferentes. O branco, maior, para bebida isótonica e o pequeno para transporte de água limpa de reserva para a janta, pequeno-almoço e/ou de reserva ao saco de três litros que seguirá na mochila.


Aspecto da coisa nova que montei para servir de "Fuelbag"... É para telemóveis, é rijo, é manhoso, não tem grande capacidade de armazenar comidinha mas precisava de um e não tinha outro. Sempre é melhor que nada! E aquelas fitas ali enroladas e meio penduradas a suportar aquele saco e que compõem o meu pseudo handlebar bag irão ficar à medida, com a respectiva margem de folgaO suficiente para ficar com um aspecto muito mais clean.
Se vai aguentar perto de 600kms? 
Pois, não sei. Veremos.



Na frente e da forma mais simples possível seguirá a esteira e o saco de bivac, ambos enrolados em conjunto e dentro do próprio saco de transporte do bivac. O meu velhinho Mountain Hardwear que já tantas noites me protegeu e abrigou! O conjunto não passa das 300g pelo que não deve sair do sítio. Ainda para mais está suportado pelas manetes dos travões. Deve aguentar.



Pior foi reunir e filtrar todo o material que irá seguir viagem dentro da mochila..
Ainda faltam na foto algumas coisas. Basicamente comida na forma de barra, chá e o aquecedor de alma. Uma câmara de ar já está guardada na bolsa de selim.
O bule irá ser substituído por uma caneca mais pequena já que só tenho que aquecer, no máximo, 280ml de água. O fogão Primus e a respectiva bilha irão no mini suporte traseiro junto com mais umas quantas coisas, como isqueiro, canivete, óleo de corrente, ferramentas, as pilhas extra do GPS e MP3 e uma das duas câmaras de ar que irei levar comigo.







Amanhã durante o final da tarde junto o pouquinho que falta e empurro tudo para dentro da mochila.

Não vou levar nenhum livro como tinha inicialmente pensado porque preciso de meter a escrita em dia e assim não tenho desculpas. Se levo um livro, ponho-me a ler e não escrevo. E depois durmo. Não vai dar para as duas coisas, quase de certeza.
É que a brincar a brincar, esta semana não fiz nadinha de exercício, nem tão pouco de recuperação. Estou como vim de Tábua. O pior é que eu conheço o motor diesel que sou e vai demorar a aquecer... Cheira-me que vou sofrer no primeiro dia mais do que estava a contar, mas o tempo o dirá. Mas tenho vários pela frente por isso tenho tempo para embalar o rabujento.
De uma maneira ou de outra, Sábado arranco para uma passeata que espero engraçada!
Com um puto calor por companhia...

Houve malta que pediu o track GPS do novo traçado da GR22 - AHP 2015 já "costurado".

Esses, podem sacar o track AQUI. Os outros também :)

Vemo-nos por aí!


Abraçorros,

Frederico Nunes "Froids"

domingo, 31 de maio de 2015

GR22 :The Commitment



Uma aventura na Grande Rota das Aldeias Históricas"
A true self-supported bikepacking adventure

A ideia base é bastante simples, a bem da verdade.

Percorrer os cerca de 600kms que compõem o percurso marcado como GR22, conhecido mais recentemente como GR22-AHP ou apenas como "Grande Rota das Aldeias Históricas", de forma completamente autónoma, sem etapas, assistências ou alojamentos pré programados.
Conhecem aquela máxima:"Ride, eat, sleep. Repeat."?
Pois bem, será o mote desta odisseia!

Olhar para o percurso circular e interpreta-lo como sendo um percurso linear; Medir as etapas em horas de luz disponíveis para pedalar e não em distâncias quilométricas ou em valores acumulados de subidas ou descidas; Dormir "bajo las estrellas" e tomar os pequenos-almoços com o nascer do dia e os bichos por companhia; Banhar-me nos riachos, fundir-me com o mundo que me rodeia, ser, sentir, ouvir, ver, conhecer e descobrir.
Estes são os meus objectivos para esta aventura!

O outro objectivo - o objectivo "menos sério" - será cumprir o percurso na totalidade, honrando a pureza do conceito "Self-supported", num tempo máximo de 120 horas...


Chegarão, penso eu, cinco dias de Sol a Sol.
Cinco dias completos, recheados de incógnitas e incertezas – com três ou quatro noites de natureza em estado bruto pelo meio – para percorrer a Grande Rota das Aldeias Históricas na integra.
Talvez dê para fazer em menos, talvez me veja obrigado a fazer em mais. Logo se verá. As 120 horas são a Lebre! Ou a cenoura, dependendo do ponto de vista...

De Sortelha, irei arrancar em direcção a Norte no dia 06 de Junho, Sábado.
Esta pequena povoação servirá também como local de dormida para a noite "0". Permitir-me-á fazer uma última noite repousada – espero – para arrancar às primeiras horas de luz de Sábado.
Esta noite não entra nas contas, pois será na carrinha com todas as comodidades que esta permite. E no que às comodidades diz respeito, prevê-se que sejam as últimas dos próximos dias.

Largando Sortelha às primeiras horas da madrugada, espero vir a parar para dormir a primeira noite algures entre as povoações de Almeida e Trancoso, a bem mais de uma centena de quilómetros de distância. No segundo dia terei que alcançar, pelo menos, a povoação de Linhares. Se passar esta, tanto melhor. No entanto, e sabendo que os dias seguintes serão muito exigentes, será quase certo não esticar este dia para privilegiar uma boa noite de sono, mas tudo dependerá de como as pernas se sentirem e as "ganas" que tiver;

De Linhares a Piódão será o princípio do tormento. Perto de 100kms separam estas duas povoações numa zona muito montanhosa e inóspita. Conto com um dia certamente extenso, de prolongado "prazer" e horas intermináveis passadas essencialmente a subir. Tenho cá para mim que este dia não irá ser dos mais fáceis que já tive de pedal, mas o futuro o confirmará.

Na continuação do dia anterior, e assumindo que consegui chegar a Piódão, terei nova centena de quilómetros até Castelo Novo, novamente por terreno bastante acidentado e terrivelmente exigente fisicamente – Sempre estamos a falar de valores de acumulado de subidas que superarão os 3000 metros numa jornada de 100kms, mais coisa menos coisa, carregado que nem uma mula nepalesa!
Se o dia anterior for duro, este irá ser certamente pior...
O jantar extra que irei enfiar na mochila, se não tiver marchado já, deverá dobrar o reforço final deste dia.

Mas como sou um gajo optimista por natureza, – ou teimoso por feitio – espero sempre o melhor; Ou seja, assumindo que chego – vivo, claro – a Castelo Novo na noite anterior, e tomando esta como bitola, ficam a sobrar apenas 140kms até à povoação de Sortelha que conto cumprir numa só tirada.

Sortelha, de onde parti 5 dias antes, e que se tudo correr conforme este grandioso plano meu, estará agora à distância de apenas uma jornada. Uma tirada valente, certo! Mas que me levará a percorrer alguns dos melhores trilhos deste Portugal; Para este último troço, os montes e vales da zona Raiana serão o palco principal, com Monsanto imponente coroando o horizonte, e por onde terei forçosamente que passar.

Todas as povoações mencionadas servem, apenas e só, de bitola para o meu calendário. São meros pontos de referência que me servirão essencialmente para controlar se vou dentro do meu objectivo, ou fora dele.

Poderão eventualmente servir também para um jantar mais substâncial e reparador ou tratar de outras situações que possam eventualmente surgir. Não conto com alojamento mas poderei eventualmente usufruir de algum se este coincidir com o final do dia, mas por principio não irei condicionar a distância diária a percorrer para dormir debaixo de tecto. 
Além das acima mencionadas, obviamente que passarei muitas outras povoações, onde conto ir adquirindo alguns víveres e reforços alimentares. Isto, se for encontrando algo aberto.

E pronto!
Este é o plano. O meu plano! O plano mais do que planeado.
E o que não estiver planeado, é porque não me faz sentido planear.
Aparentemente, é o conceito de "Overcomming of Self", segundo Nietzsche; Eu prefiro chamar-lhe um "Gentleman's agreement" entre mim e a minha Persona.

Mas descansem os mais cépticos que deixarei todos os dados necessários para que ninguém tropece num defunto no meio do trilho e caso o terrível aconteça. Se eu não der noticias, alguém – espero – irá tentar resgatar o meu esqueleto. Mais que não seja porque por perto deverá estar uma bicicleta que ainda vale uns cobres se for vendida às peças. Sim, às peças, que o mercado de 26" está, digamos, desvalorizado.

E por falar na bicicleta, por falar nessa maravilhosa invenção...
Quem me conhece sabe que sou um adepto apaixonado do formato "Singlespeed"; Bicicletas de uma só velocidade que primam pela simplicidade e eficácia, com um conceito e estilo de pilotagem muito próprios. No entanto, as mesmas características que as tornam únicas e singulares jogam, nesta minha aventura, como um factor desfavorável contra o sucesso da empresa. Irei carregar a bicicleta e as costas com vários quilos extra de material, pelo que um sistema de desmultiplicação de forças é o mais razoável para manter tempos minimamente aceitáveis e ser viável a concretização do meu objectivo "menos sério". Evito deste modo “botar pé à terra” nas subidas mais ingremes e conseguirei rolar a velocidades superiores aos actuais - e míseros - 25km/h. Sou fã e apaixonado, mas não um fanático extremista!

Assim, o carreto de 18t irá sair para dar lugar à velhinha cassete Sram de 9 velocidades e a par entrará o necessário shifter; Voltarei, após perto de 3 anos sem tocar em nada parecido, a pilotar uma bike com mudanças. Mas será uma alteração muito ponderada e exclusiva a esta aventura – e à Via Algarviana, em Setembro, mas isso será outra historia a contar na altura própria (!)

O que disse ao meu amigo Dário umas semanas atrás, repito agora.
Tentar esta viagem no mais puro dos estilos – na minha opinião, claro – e em contra-relógio, já me parece por si só, um bom desafio. E qui'ca talvez até um bocadinho audacioso se medido pela altura do cronista!
Agora, pensar em fazê-lo de Singlespeed seria um bocado estúpido...
Não seria desafio maior nem nada.
Seria, apenas e só, Estúpido!

Daí que irei optar por um "velhinho" sistema de 9 velocidades com um prato de 34t na frente. Ganho alguma margem extra nas subidas, mas acima de tudo irei conseguir rolar substancialmente melhor. Para quem costuma andar com uma mudança apenas, ter nove disponíveis será mais que suficiente, espero!
Mas desenganem-se os mais cépticos, que assim que esta brincadeira terminar, a versão 1x1 voltará a reinar.

E pronto!
É isto. Basicamente, é isto...
É o meu compromisso de honra. 
O meu "Commitment" para comigo próprio. Porque aquilo que não nos desafia, não nos transforma!

E, se ainda assim o leitor – sim, tu aí – se ainda assim continuas com questões por responder, certamente que este não será o teu estilo de aventura preferido. Mas, tranquilidade acima de tudo; Encosta-te para trás na cadeira e navega para outra página ou Tópico qualquer; Mas, aceita este conselho de amigo, continua a procurar aquilo que te faz sonhar, pois existem sempre mais de mil maneiras de nos perdermos!
Esta é apenas a minha!

Porém, se fores masoquista e sádico o suficiente, e se de alguma forma te revês neste tipo de conquistas, mantém-te por aí...
Não prometo nada de jeito. Aliás não prometo nada, de todo! Mas uma vez tornado público o repto, haverá que dar notícias dele no final. Para o bem ou para o mal.
Daí que, das duas uma: Ou eu viajo na Maionesse ou tu viajas no sofá! Noticias haverá.
E fotos também. Provavelmente, até um filmito no final (!)


Vêmo-nos por aí!
Abraçorros.
Frederico Nunes "Froids"
@2015