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terça-feira, 2 de junho de 2015

9º BTT MK-MAKINAS, Tábua

Para mim, a aventura de Tábua começou na sexta-feira à noite, quando comecei a desmontar e montar o "novo" sistema de transmissão igual ao que irei levar para a Grande Rota das Aldeias Históricas.
Tudo lindo antes de testar. Na prática ficou uma bosta. E enorme!
Só Sábado às 15h da tarde é que tinha todos os problemas aparentemente resolvidos, mas não cheguei a sentar o rabo em cima do selim e testar tudo com carga. Asneira(!)

Arrancámos de Lisboa às 05h20 da manhã. Eu, a Sandra e o Carlos. Já em Tábua juntámo-nos ao Marco. Os quatro virgenzinhos no que tocava à mítica maratona de Tábua. Todos no entanto, sabíamos mais ao menos ao que íamos. E digo mais ou menos porque a prova superou em tudo as nossas espectativas. Foi simplesmente brutal.

Arrancámos juntos da Box1.
Nem tinhamos pedalado 500m e começo a ouvir um barulho estranho oriundo do meu novo desviador traseiro. Duzentos metros mais e acabo por avisar o Carlos que tenho que parar. O Marco e a Sandra também param e voltam para trás.
Não demoro mais de 2 minutos a corrigir o problema e a asneirada do dia anterior, mas com isso ficámos os quatro a pedalar sozinhos.

Libertou-nos um pouco os trilhos, mas foi a altura em que sofri mais para acompanhar os meus companheiros de aventura.
O Carlos percebeu o meu estado quando algures olha para mim e me vê a suar mais que num banho Turco. Mas lá encontrei o meu ritmo e lá descobri umas artimanhas para me ir safando até final. 
Descobri no Domingo que já não sei pedalar sentado. Já não estou habituado a fazer esse tipo de força. Fiquei a descobrir também que o que não subia sentado em 1x1, subia em pé em 1x3 ou 1x4(!) 
Raios parta a maluqueira. Subia melhor, com menos esforço, mais tracção, mais tudo!

Começámos a apanhar logo singletracks brutais um pouco depois do km20. Todos absulatamente fantásticos. Fluídos, técnicos q.b e mantidos e criados com dedicação. Um verdadeiro luxo quase todos eles.
A boa disposição do nosso grupinho foi sempre nota dominante.
Mas eu não conhecia nem a Sandra, nem o Marco.
A Sandra, disse-me o Carlos uns dias antes, precisava de boleia para Tábua porque tinha inscrição e estava apeada. Passámos nesse instante a ser três.
O Marco era amigo da Sandra e estava já em Tábua à nossa espera.
Revelaram-se companheiros cinco estrelas.
O Marco, bem o Marco nem sei se chegou a suar em alguma das subidas do dia. Apre que o rapaz é forte. E também desce bem. Pessoal mesmo sólido a andar. E a Sandra, ah pois a Sandra... A Sandra fez-me suar as estupinhas para me manter na roda dela durante os primeiros quilómetros da prova e mais não digo.

"Ah e tal, estou em baixo de forma..." - Dizia ela no início.
"Em baixo de forma, ela? Ainda bem, que se estivesse a tope tinha-me morto!" - Disse eu para o Carlos no final, meio a brincar meio a sério!

Mas que companhia excelente! Super divertida, sempre a curtir, mesmo um prazer conhecer! E com um daqueles andamentos "honestos" como a malta gosta. Rolava bem, subia melhor e descia como muito gajo com muito mais anos disto não desce!
O Marco é mais reservado e rolou quase sempre na frente do nosso grupinho. Isto depois do primeiro abastecimento.
Mas até lá e devido a uma paragem, dele e do Carlos, eu e a Sandra acabámos por rolar alguns quilómetros sozinhos e na cabeça do nosso grupo.

A determinada altura a Sandra diz-me, entre uma respiração e outra, que tinha novo objectivo para aquela prova...
Eu não percebi imediatamente o que ela pretendia dizer com aquilo até porque o objectivo comum previamente definido entre todos era única e exclusivamente "córtir os trilhos" da 9ª Maratona de Tábua.
Mas a nossa companheira de passeata já tinha avistado uma outra betetista, uns metros mais à frente, trajando equipamento do Benfica... 
A Sandra é do Sporting!

Ultrapassa-a sem cerimónias e pisa forte no pedal.
O novo objectivo da Sandra passou de imediato a ser terminar à frente da Gaja do Benfica. O principal mantinha-se, claro!
Quando chegámos ao primeiro abastecimento ainda estivemos uns minutos à espera do Carlos e do Marco. Os suficientes para a Sandra ainda me deitar esta frase:

"Ou nós estamos muita fortes ou eles estão muita fraquinhos!"

Eu nem sabia bem o que pensar naquela altura...
Sinceramente, quando ali parámos eu já tinha encontrado novamente um ritmo tranquilo e vinha bem, mas a miúda trazia mesmo o diabo no corpo. Passámos por malta a subir com uma bolina como há muito que não me acontecia. Muita bom! E à medida que o tempo e os quilómetros iam passando, eu ia redescobrindo o prazer que também existe em andar com sistemas de mudanças. Mesmo com uma K7 gasta e a saltar como eu trazia a minha...

Neste primeiro abastecimento havia de tudo, inclusive um rancho folclórico com pessoal trajado a rigor e vinhaça para acompanhar as febras e entremeadas que estalavam no grelhador.
Mas no meio daquela azáfama toda e ainda antes dos nossos amigos, havia de chegar a Gaja do Benfica.
E acabou por arrancar ainda eles não tinham acabado de dar o primeiro golo no copo de tinto.
Percebi que a Sandra mantinha a dela fisgada e quando arrancámos deste abastecimento sabia, nem sei bem porquê, que ela não haveria de descansar enquanto não voltasse a ultrapassar a outra moça. Sem conhecer bem a Sandra, fiquei com a ideia que ela não iria desistir assim tão facilmente.
Tal acabou rapidamente por acontecer.
Quando a ultrapassámos novamente meti-me com ela e disse-lhe: Então, mais contente?!
Ao que ela me responde algo do género: "Só quero ficar à frente dela. Só quero ficar à frente da Gaja do Benfica"...

Foi quando percebi que era mesmo corrida que iríamos ter!
Até porque a determinada altura, vislumbro a roda dela a chegar-se à roda da Sandra. Ambos percebemos às claras que a Gaja do Benfica não ia dar aquela vitória à Sandra de mão beijada. Iria haver luta. Ela picou-se quase de certeza, deve-nos ter ouvido ou assim. Mas nunca nos ultrapassou, esperta!

No abastecimento seguinte estavam já parados o Carlos e o Marco na palhaçada com a malta da organização.
Nós paramos também. A adversária directa da Sandra não. E esta estratégia fez com que demorássemos imenso tempo a reencontrá-la.

Durante esse intervalo na "corrida", fomos apreciando os trilhos, as paisagens, o pessoal da organização em todos os muitos pontos de água e abastecimentos que tivemos, toda a envolvência com a população e acompanhantes dos atletas, que é qualquer coisa de incomparável. Toda a prova e magnitude da "coisa" é magistral.
Mas os trilhos, os trilhos é que são qualquer coisa do outro mundo! Já me repeti? Não faz mal, poderia repetir-me a noite toda que não lhes faria a devida justiça. Um grande trabalho que é visita obrigatória na carreira de qualquer betetista que se preze, sem sombra para dúvidas.

Toda a nossa participação foi pautada pela descontração e boa onda. Esta última chegou mesmo a acontecer enquanto estivemos parados num dos trilhos mais emblemáticos e onde estava concentrado um elevado número de pessoas a assistir à prova, envoltas num cenário idílico.
A páginas tantas dou com a Sandra a puxar pela malta e acaba mesmo por conseguir fazer a "onda" com muita daquela gente. Foi fixe de assistir e vivenciar e serve para perceberem o espirito com que íamos a levar a "cenaça".
Nesta altura deduzo que o modo "RACE" ia em lume brando na cabecinha da Sandra. Os trilhos que se iam mostrando à nossa frente eram absolutamente alucinantes e dignos de total entrega. Quer pela sua beleza, quer pela sua tecnicidade. E ainda por cima tivemos a sorte de poder fazer alguns deles livres de grandes paragens e assim apreciá-los completamente. Um luxo!

O Carlos e o Marco rolavam ora connosco ora uns metros à nossa frente, sempre mais fortes que eu e a Sandra. Mas formámos um grupinho muito coeso e mantivemos um ritmo relativamente bom durante todo o percurso. Ritmo de passeio "rápido", como disse a Sandra.
Basicamente, eu nem tive direito a cigui, por mais vontade que tivesse. Se parasse, perdia o combóio! E não iria fazer o combóio esperar por causa deste meu vício estúpido.

Chegamos a mais um abastecimento. E neste abastecimento ficamos a saber, entre meia banana e mais um quarto de laranja, que a Gaja do Benfica seguia um minuto ou dois à nossa frente, junto com o restante grupo do pessoal da Casa do Benfica de Almada do qual fazia parte.

A Sandra arranca disparada ainda eu nao tinha comido a laranja toda!

"Vou andando! Vocês já me apanham!" - Larga para o ar, sem olhar para trás, enquanto se lança a fullpower aos trilhos, de alento completamente renovado.

RACE Mode back on!

Jogo a embalagem do gel vazio para o lixo e agarro na bike. Seguimos os três a todo o gás até apanharmos novamente a Sandra, um quilómetro ou dois mais à frente. O Carlos e o Marco passam-na na bolina, numa subida com alguma areia e que me obriga a desmontar devido a erros de trajectória, falta de tracção e de prática no manejo das mudanças. Tudo junto e este artista acaba a meter o pé no chão e desmontar antes de terminar a rampa que tinha pela frente. 
Apear com estes meninos é sinónimo de muitos metros de distância que se ganham quase de forma instantanea.
Não me consegui montar logo e sou obrigado a terminar a rampa a penantes. Quando lhe ganho o topo já não vislumbro os meus companheiros. Sozinho quebrei um bocadinho o meu ritmo e custou-me voltar a embalar.
Só fui espevitar novamente um quilómetro ou dois mais à frente quando me chego à roda da Gaja do Benfica. Pelo ritmo lento e quebrado que trazia ainda pensei que não fosse a mesma rapariga, mas quando me cedeu passagem, percebi que sim.
E percebi também que a Sandra e o resto do pessoal também já teriam passado por ela. E acordei novamente para a vida!
Sabia que ela, a Sandra, não iria agora dar descanso e não se iria deixar apanhar novamente, pelo que, seu eu pretendia chegar novamente à roda dela, teria que me aplicar e andar mais do que ela estava a andar, como mínimo.
Mas sozinho essa tarefa revelou-se mais complicada de fazer do que de pensar. As subidas tinham dureza e algumas também tinham técnica à mistura e muitas delas pouca tracção. Em grupo minimizam-se os esforços. Sozinho, tudo parece mais inclinado, maior, interminável...

Mas acabei por avistar a Sandra, sozinha, a uns escassos metros de mais um abastecimento. Fiquei depois a saber que iriam esperar ali por mim.
Gostei do gesto, e fiquei sentido, mas não comentei. Que bom grupo que se juntou. Tudo pessoal com valores que eu aprecio muito. Fiquei mesmo contente. O espirito do nosso grupinho continuava em altas! Sempre bem dispostos, a rir e a desfrutar de tudo o que havia para desfrutar.


Felizmente não os fiz esperar quase nadinha e apesar de naquela altura estar mais cansado do que seria normal, tinha conseguido ganhar-lhes algum terreno e isso deu-me alento novamente. Aliado ao que comentei acima, apesar de já sentir nas pernas algum cansaço, fiquei com a moral renovada.
Mais umas águas para dentro, umas águas para fora e fazemo-nos novamente ao caminho!

Daqui para a frente faltava pouco, cerca de 15kms sensivelmente. Mas que não foram completamente fáceis. Algumas pistas boas a descer e a subir, mas essêncialmente caminhos exigentes, todos eles, de uma forma ou de outra. Só mesmo para o final se rolou um bocadinho de forma mais solta.
O resto foi "serrote", sempre.

Começamos a dobrar companheiros mais atrasados, provenientes da meia maratona e a determinada altura, avistamos dois rapazes parados, cada qual de seu lado de um singletrack já por si estreito, após uma zona algo complicada.
Vinham desmontados porque o trilho era demasiado técnico para eles. 
A Sandra faz tudo bem, mas quando chega à beira dos rapazes, desequilibra-se e dá um toque num deles que, desamparado, cai estatelado no buraco que havia atrás dele.
Mas caiu de uma forma absolutamente genial.
Ao toque da Sandra, e ao perceber que já tinha perdido o equilíbrio e que já nada podia fazer para impedir a queda, abre muito os olhinhos e a boca, tem ali um segundo ou dois de espanto e depois cameça a rir enquanto cai, quase em camara lenta. Mas rir a bom rir!
O rapaz estava exausto e caiu também em parte devido ao cansaço.
Mas a cena foi simplesmente hilariante. Ele caiu em cima de um tapete de folhas como se tivesse caido numa cama, mas ficou de pés para cima e cabeça para baixo. E no meio das pernas, a bicicleta.
E ele ria! O amigo dele também.
Ajudei-o a sair dali enquanto a Sandra se desfazia em desculpas! Mas os rapazes mantinham uma onda brutal! Grande moral... O que ficou a conhecer a Sandra em primeira mão, em momento algum ficou chateado ou levou a mal. Só se ria.
E no final ainda nos disse: "Bem, uma estava guardada!" (Referia-se a quedas enquanto continuava de sorriso na cara!)

Os quilómetros finais foram feitos mesmo em grupinho, juntinhos, tipo Quarteto Fantástico! E foi assim que cruzámos o arco de meta no final desta aventura, porque nem poderia ter sido de qualquer outra forma.
O dia foi brutal, amanhecendo algo fresco para ir aquecendo durante o dia, proporcionando um bom dia para pedalar. As paisagens e os trilhos foram espectaculares e dignos de registo por si só, a organização esteve bem em todos os aspectos. Tudo esteve muito bom, mesmo excelente.

Mas, para mim e de forma inquestionável, o melhor do dia foi mesmo a companhia!
Obrigado por aturarem este magrela e por me deixarem rolar com vocês! Foi, é e será sempre, um privilégio!

Para aquele pessoal que ler esta crónica e não conhece e que de alguma forma pondera participar nesta maratona, nem pensem em ir com outro espirito que não seja o de "Córtir os Trilhos". Tudo vale a pena e merece ser apreciado sem grandes pressas. Vão e desfrutem! É só isso que tenho para vos dizer. Certamente que não se irão arrepender.
No entanto, alguma preparação física é recomendável, porque aos ~1500m D+ de subidas terão que acrescentar a dureza das descidas o que perfaz desta uma prova com alguma exigência física e técnica. Mas que se recomenda vivamente, e que vale cada gota de suor que se deixe naqueles trilhos.

Em resumo, um dia a par com alguns dos melhores dias que já passei a pedalar durante os meus 15 anos de bicicletas.
E certamente e sem cerimónias, um dos mais divertidos!

O track do percurso irá para a pasta "Tracks GPS" assim que possível.
O vídeo da aventura está em processo de edição. Conto tê-lo pronto até Quinta-feira, o mais tardar.

Há por essa internet fora várias fotos nossas. Á medida que as for encontrando ou mas forem cedendo e mostrando, vou actualizando esta posta com algumas que valham a pena!


Nota de rodapé: 

Se a Gaja do Benfica por ventura ler estas linhas, que não leve a mal o facto de ser tratada por "Gaja". O termo é carinhoso e de forma nenhuma pretende ser diminutivo ou depreciativo... Até porque o andamento que impôs durante bastantes quilómetros me merece todo o respeito!
Portanto, uma saudação valente à companheira betetista que veste as cores da Casa do Benfica de Almada e que se não estou em erro tem de graça o nome Tânia. Haja mulheres de fibra no meio de tanto homem! É um prazer pedalar com vocês...


Vemo-nos por aí.

Abraçorros
Frederico Nunes "Froids"
@2015


domingo, 31 de maio de 2015

GR22 :The Commitment



Uma aventura na Grande Rota das Aldeias Históricas"
A true self-supported bikepacking adventure

A ideia base é bastante simples, a bem da verdade.

Percorrer os cerca de 600kms que compõem o percurso marcado como GR22, conhecido mais recentemente como GR22-AHP ou apenas como "Grande Rota das Aldeias Históricas", de forma completamente autónoma, sem etapas, assistências ou alojamentos pré programados.
Conhecem aquela máxima:"Ride, eat, sleep. Repeat."?
Pois bem, será o mote desta odisseia!

Olhar para o percurso circular e interpreta-lo como sendo um percurso linear; Medir as etapas em horas de luz disponíveis para pedalar e não em distâncias quilométricas ou em valores acumulados de subidas ou descidas; Dormir "bajo las estrellas" e tomar os pequenos-almoços com o nascer do dia e os bichos por companhia; Banhar-me nos riachos, fundir-me com o mundo que me rodeia, ser, sentir, ouvir, ver, conhecer e descobrir.
Estes são os meus objectivos para esta aventura!

O outro objectivo - o objectivo "menos sério" - será cumprir o percurso na totalidade, honrando a pureza do conceito "Self-supported", num tempo máximo de 120 horas...


Chegarão, penso eu, cinco dias de Sol a Sol.
Cinco dias completos, recheados de incógnitas e incertezas – com três ou quatro noites de natureza em estado bruto pelo meio – para percorrer a Grande Rota das Aldeias Históricas na integra.
Talvez dê para fazer em menos, talvez me veja obrigado a fazer em mais. Logo se verá. As 120 horas são a Lebre! Ou a cenoura, dependendo do ponto de vista...

De Sortelha, irei arrancar em direcção a Norte no dia 06 de Junho, Sábado.
Esta pequena povoação servirá também como local de dormida para a noite "0". Permitir-me-á fazer uma última noite repousada – espero – para arrancar às primeiras horas de luz de Sábado.
Esta noite não entra nas contas, pois será na carrinha com todas as comodidades que esta permite. E no que às comodidades diz respeito, prevê-se que sejam as últimas dos próximos dias.

Largando Sortelha às primeiras horas da madrugada, espero vir a parar para dormir a primeira noite algures entre as povoações de Almeida e Trancoso, a bem mais de uma centena de quilómetros de distância. No segundo dia terei que alcançar, pelo menos, a povoação de Linhares. Se passar esta, tanto melhor. No entanto, e sabendo que os dias seguintes serão muito exigentes, será quase certo não esticar este dia para privilegiar uma boa noite de sono, mas tudo dependerá de como as pernas se sentirem e as "ganas" que tiver;

De Linhares a Piódão será o princípio do tormento. Perto de 100kms separam estas duas povoações numa zona muito montanhosa e inóspita. Conto com um dia certamente extenso, de prolongado "prazer" e horas intermináveis passadas essencialmente a subir. Tenho cá para mim que este dia não irá ser dos mais fáceis que já tive de pedal, mas o futuro o confirmará.

Na continuação do dia anterior, e assumindo que consegui chegar a Piódão, terei nova centena de quilómetros até Castelo Novo, novamente por terreno bastante acidentado e terrivelmente exigente fisicamente – Sempre estamos a falar de valores de acumulado de subidas que superarão os 3000 metros numa jornada de 100kms, mais coisa menos coisa, carregado que nem uma mula nepalesa!
Se o dia anterior for duro, este irá ser certamente pior...
O jantar extra que irei enfiar na mochila, se não tiver marchado já, deverá dobrar o reforço final deste dia.

Mas como sou um gajo optimista por natureza, – ou teimoso por feitio – espero sempre o melhor; Ou seja, assumindo que chego – vivo, claro – a Castelo Novo na noite anterior, e tomando esta como bitola, ficam a sobrar apenas 140kms até à povoação de Sortelha que conto cumprir numa só tirada.

Sortelha, de onde parti 5 dias antes, e que se tudo correr conforme este grandioso plano meu, estará agora à distância de apenas uma jornada. Uma tirada valente, certo! Mas que me levará a percorrer alguns dos melhores trilhos deste Portugal; Para este último troço, os montes e vales da zona Raiana serão o palco principal, com Monsanto imponente coroando o horizonte, e por onde terei forçosamente que passar.

Todas as povoações mencionadas servem, apenas e só, de bitola para o meu calendário. São meros pontos de referência que me servirão essencialmente para controlar se vou dentro do meu objectivo, ou fora dele.

Poderão eventualmente servir também para um jantar mais substâncial e reparador ou tratar de outras situações que possam eventualmente surgir. Não conto com alojamento mas poderei eventualmente usufruir de algum se este coincidir com o final do dia, mas por principio não irei condicionar a distância diária a percorrer para dormir debaixo de tecto. 
Além das acima mencionadas, obviamente que passarei muitas outras povoações, onde conto ir adquirindo alguns víveres e reforços alimentares. Isto, se for encontrando algo aberto.

E pronto!
Este é o plano. O meu plano! O plano mais do que planeado.
E o que não estiver planeado, é porque não me faz sentido planear.
Aparentemente, é o conceito de "Overcomming of Self", segundo Nietzsche; Eu prefiro chamar-lhe um "Gentleman's agreement" entre mim e a minha Persona.

Mas descansem os mais cépticos que deixarei todos os dados necessários para que ninguém tropece num defunto no meio do trilho e caso o terrível aconteça. Se eu não der noticias, alguém – espero – irá tentar resgatar o meu esqueleto. Mais que não seja porque por perto deverá estar uma bicicleta que ainda vale uns cobres se for vendida às peças. Sim, às peças, que o mercado de 26" está, digamos, desvalorizado.

E por falar na bicicleta, por falar nessa maravilhosa invenção...
Quem me conhece sabe que sou um adepto apaixonado do formato "Singlespeed"; Bicicletas de uma só velocidade que primam pela simplicidade e eficácia, com um conceito e estilo de pilotagem muito próprios. No entanto, as mesmas características que as tornam únicas e singulares jogam, nesta minha aventura, como um factor desfavorável contra o sucesso da empresa. Irei carregar a bicicleta e as costas com vários quilos extra de material, pelo que um sistema de desmultiplicação de forças é o mais razoável para manter tempos minimamente aceitáveis e ser viável a concretização do meu objectivo "menos sério". Evito deste modo “botar pé à terra” nas subidas mais ingremes e conseguirei rolar a velocidades superiores aos actuais - e míseros - 25km/h. Sou fã e apaixonado, mas não um fanático extremista!

Assim, o carreto de 18t irá sair para dar lugar à velhinha cassete Sram de 9 velocidades e a par entrará o necessário shifter; Voltarei, após perto de 3 anos sem tocar em nada parecido, a pilotar uma bike com mudanças. Mas será uma alteração muito ponderada e exclusiva a esta aventura – e à Via Algarviana, em Setembro, mas isso será outra historia a contar na altura própria (!)

O que disse ao meu amigo Dário umas semanas atrás, repito agora.
Tentar esta viagem no mais puro dos estilos – na minha opinião, claro – e em contra-relógio, já me parece por si só, um bom desafio. E qui'ca talvez até um bocadinho audacioso se medido pela altura do cronista!
Agora, pensar em fazê-lo de Singlespeed seria um bocado estúpido...
Não seria desafio maior nem nada.
Seria, apenas e só, Estúpido!

Daí que irei optar por um "velhinho" sistema de 9 velocidades com um prato de 34t na frente. Ganho alguma margem extra nas subidas, mas acima de tudo irei conseguir rolar substancialmente melhor. Para quem costuma andar com uma mudança apenas, ter nove disponíveis será mais que suficiente, espero!
Mas desenganem-se os mais cépticos, que assim que esta brincadeira terminar, a versão 1x1 voltará a reinar.

E pronto!
É isto. Basicamente, é isto...
É o meu compromisso de honra. 
O meu "Commitment" para comigo próprio. Porque aquilo que não nos desafia, não nos transforma!

E, se ainda assim o leitor – sim, tu aí – se ainda assim continuas com questões por responder, certamente que este não será o teu estilo de aventura preferido. Mas, tranquilidade acima de tudo; Encosta-te para trás na cadeira e navega para outra página ou Tópico qualquer; Mas, aceita este conselho de amigo, continua a procurar aquilo que te faz sonhar, pois existem sempre mais de mil maneiras de nos perdermos!
Esta é apenas a minha!

Porém, se fores masoquista e sádico o suficiente, e se de alguma forma te revês neste tipo de conquistas, mantém-te por aí...
Não prometo nada de jeito. Aliás não prometo nada, de todo! Mas uma vez tornado público o repto, haverá que dar notícias dele no final. Para o bem ou para o mal.
Daí que, das duas uma: Ou eu viajo na Maionesse ou tu viajas no sofá! Noticias haverá.
E fotos também. Provavelmente, até um filmito no final (!)


Vêmo-nos por aí!
Abraçorros.
Frederico Nunes "Froids"
@2015

domingo, 24 de maio de 2015

VIDEO : Arrábida EPICA (Or Not)

Aqui vos deixo mais um filminho que editei, durante o "Arrábida EPICA" do CSSPF.
Espero que gostem! Eu gostei da voltinha e do ambiente da malta. 
A repetir numa nova oportunidade... Para concluir o percurso proposto na íntegra.



Abraçorros!


Vemo-nos por aí!


Abraçorros

Frederico Nunes "Froids"
@2015

sexta-feira, 22 de maio de 2015

VIDEO : Maratona BTT SERRAd'AIRE

Conforme prometido, aqui fica o vídeo que editei com algumas das imagens que fui captando durante a Maratona BTT Serra D'Aire, no passado Domingo, dia 17/05/2015.

Explicit language. Viewer discretion advised!




O empeno, apesar de terem sido "somente" 60kms, foi monumental e como há muito não me lembrava de apanhar... As imagens no vídeo não enganam!

Espero que curtam e que o meu trombil de empenado vos alegre o dia.

Vemo-nos por aí!


Abraçorros

Frederico Nunes "Froids"
@2015

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Maratona BTT SERRAd'AIRE

"Sabias ao que ías!"

Esta frase deveria resumir a minha aventura de domingo passado por terras de Ourém.

Deveria, porque na verdade há mais a contar para que ficais devidamente elucidados. Será preciso contar que teve subidas, teve descidas, teve calor. Também teve singletracks de cortar a respiração. Teve calor. E pedra, também teve muita pedra. Pequenina, média, maiorzita, calhau, pedregulho. Teve pedra de todos os tamanhos, feitios, cores e derivados. Aguçadas como navalhas ou arredondadas nas arestas!
Muita pedra. E muito calor!

Sessenta quilómetros de trilhos absolutamente fabulosos, duros, técnicos e muito exigentes. A Serra d'Aire não perdoa nenhuma desatenção e exige sempre dos pilotos e máquinas uma entrega a 100%. Se a minha máquina não falhou, já do piloto não se teçe melhor comentário.

Mas vamos dividir a coisa por partes. 


A primeira parte, da partida ao km 30;


Arranque maluco - a mil à hora - no primeiro terço do pelotão para depressa ficar a pedalar no último terço do mesmo. O inicio foi plano durante uns minutos, comigo a tentar acompanhar a cadência da malta, sem grande sucesso, diga-se, mas depois empinou um bocadinho até entrarmos na linha de éolicas sobranceira à povoação de Bairro, pequeno povoado onde teve inicio a maratona.

Devido às altas velocidades do restante pessoal e que eu não consigo acompanhar, perdi muito tempo em relação à malta que rolava para a distância maior e como ainda por cima fiquei parado no engarrafamento para o primeiro singletrack do dia, quando cheguei à divisória dos dois percursos já só tinha dois ou três companheiros atrás de mim que também iriam para a distância maior.
Mas até este ponto, além de uns singles engraçados nada houve de extraordinário. Depois da divisão dos percursos a conversa mudou radicalmente de figura.
Toda a dureza da Serra d'Aire e dos típicos trilhos da zona e que eu conheço relativamente bem deram-me um tratamento completo, se assim se pode dizer. Mas também só deram, porque eu pedi.
Pedi porque, após a viragem para o percurso da maratona, sabendo que o rapaz a quem prometera companhia para o percurso rolava mais à frente, sabendo que só podia ganhar terreno nas subidas e nos trilhos mais técnicos e sinuosos tão ao meu gosto, foi com vontande que me apliquei nos cranks, empurrando os mesmos com toda a força que tinha, mas acabei por ter que ceder e baixar o ritmo, sensivelmente ao Km 30, com caímbras em ambas as pernas(!). Primeiro na esquerda, depois na direita, uns quilometros mais à frente.



A segunda parte, do Km 30 até final;


Desse momento em diante sabia que iria sofrer até final. Não que não viesse a sofrer já, mas iria ser um sofrimento diferente, mais doloroso. Para ajudar à festa, trazia uma dor parecida com a dor de burro, mas do lado esquerdo, que não me deixava rolar e/ou descer depressa. Devido a todas as pedras e solavancos tinha que andar muito devagar porque me doia imenso. A determinada altura comecei mesmo a ficar preocupado, mas depois acabou por atenuar e para o final já não exisita. Mas existiam duas pernas completamente vazias desde o Km35, mais coisa, menos coisa.
Acabei por encontrar o companheiro que procurava, parado a meter ar no pneu traseiro. 

Parei e voltei para trás. 
Como estava tudo bem e nem furado estava acabei por seguir, novamente sozinho, mas convencido que ele me iria apanhar num instante. Baixei ainda mais o ritmo que trazia e fui pedalando tranquilamente.
Pouco depois encontro um outro companheiro a empurrar o seu tractor de roda 29" (que devem ter dado um jeitão naqueles trilhos). Abrandei e perguntei se estava tudo bem.

Com ele sim, com o pneu da frente é que não! Estava furado.
Não parei, segui. E segui porque ele me respondeu que não tinha camara porque não levara nenhuma. Nem bomba, nem nada... Epá, pois(!)...
A determinada altura chego-me a um outro companheiro que vinha a enfrentar problemas com as suas mudanças traseiras. Rolámos uns bocados juntos e encontrámo-nos mais algumas vezes a fazer a mesmas subidas a pé.
Ele só me dizia "Epá vou desistir, epá vou desistir..." Mas lá ía continuando.
Aparentava ser conhecedor da zona. Fiquei com ideia que nunca chegou a desistir pois cruzamo-nos no final da última grande rampa antes da descida para o Vale Garcia e ele seguiu adiante à minha frente.

Eu, quando cheguei ao marco geodésico de Goucha Larga vinha completamente esgotado. Naquele sítio estratégico, com umas vistas fabulosas, fiz uma paragem à Froids, com direito a Cigui e tudo!
E se ali houvesse uma barraquinha a vender gasosas, nem sei se sairia dali.
Acabou por passar o meu amigo junto com outro companheiro e uns minutos mais tarde chega o Bike Vassoura!
Sabia que faltava pouco para o final, mas tinha a vaga ideia que a descida íria ser muito exigente e técnica. E não me enganei. Abençoada paragem. No entanto continuava demasiado cansado para apreciar como merecia o renovado singletrack do Vale Garcia, mas ainda assim curti que nem um maluco. Mas melhor para mim esteva a Sauna do Javali. Fluído e brutal!
No final da descida ainda tive tempo para dois dedos de conversa com a malta de apoio que lá estava a dar água. E souberam-me pela vida eheheh pois já tudo era desculpa para parar uns minutos.
Pensava sinceramente que os outros dois companheiros que tinham passado por mim no marco chegariam muito antes de mim ao final, mas voltei a apanhá-los numa subida algures. Desmontei também, mas não por solidariedade, e seguimos os três apeados durante um bocadinho.
Eu voltava a montar quando podia e numa dessas situações acabei por deixar novamente os dois companheiros para trás. Sabía que lá vinha o homem da Vassoura (o da Marreta levava-o comigo) por isso estavam bem entregues e preocupei-me apenas em arrastar o meu proprio esqueleto até final.

E justo quando achava que era o final.... Naaaa, toma lá mais 1,5km para abrires os olhinhos.
Sendo sincero, pensei em dar meia volta e ir acabar rápido com aquele martirio dando um tiro certeiro dali até ao arco de meta, mas depois controlei-me e lá fiz o último singletrack do dia, o qual me ía matando(!)

Conclusão;

Lá me consegui arrastar até à meta, inteiro, para ficar a saber que eramos três singlespeeders em prova, mas que apenas eu tinha ido para a distância maior, anunciou o Speaker de serviço, também ele adepto das bikes de um só carreto. 
Daí que, apesar de ser o 3º a contar do fim, fui 1º no escalão "Singlespeed"! 
Cena marada :)
Quase tão marada quanto a carga de porrada que levei daquela pedra toda!
Tratamento completo, mesmo. Alma cheia de BTT do bom, boa camaradagem e empeno ao mesmo nível.

Para quem gosta do tipo de terreno, recomendo vivamente. Mas ide fortes! 
E de preferência, se puderem, escolham dias com temperaturas abaixo dos 33º!

Em relação à organização, nada a apontar. Estiveram muito bem na distribuição de água em variadíssimos pontos do percurso, sempre pessoal nos cruzamentos com estradas asfaltadas e boa organização no geral. Talvez devido à dureza da prova, uns abastecimentos mais ricos fossem bem vindos. No entanto tiveram o essencial e estavam nos locais certos. 

Obrigado a todos pelo apoio e boa disposição! 

Esperem pelo vídeo, que melhor que qualquer crónica é a minha tromba de empenado escarrapachada no ecrán. Podem-me gosar para todo o sempre, não faz mal, que vocês se lá fossem também iam empenar eheheh

Video em processo de edição... Volta mais tarde. Talvez amanhã ou assim!


Track GPS no sitio do costume...


Vemo-nos por aí!


Abraçorros
Frederico Nunes "Froids"

@2015

sábado, 9 de maio de 2015

Raid'oVento "REVISITED" # II

O mesmo passeio de sábado passado. Mais ou menos sem tirar nem pôr.
Com a diferença que fui filmando a passeata. Deram algumas imagens engraçadas que já fui cuscar ao cartão de memória. Mas só depois de escrever esta mini-posta é que me lançarei no desafio de as montar num pequeninio vídeo.
Mas no resumo, mais do mesmo! Cumpridos em 4H38, mas com muito mais paragens, mas também com mais acumulado devido ao que corri para trás e para a frente, a colocar a camara. Por isso penso que não está mal. E muitas paragens, pelo menos a mim, tendem a partir-me as pernas aos bocadinhos e hoje não foi excepção.

Mas muita conversa para não dizer nada. Esperem pelo video que não demora, espero.
Até porque estou cansadito - isto de ir passear o cão à tarde cansa(!) - e amanhã haverá mais, mas do outro lado do rio com os suspeitos do costume.
Espera-se um ritmo soft para limpar o ácido láctico dos canivetes, ou então não e levo novamente com a marreta. 

Aposto na primeira!

O track GPS irá ser colocado na pasta "Tracks GPS".

Por lapso referi na posta anterior que já lá estava, mas enganei-vos. Ainda tenho que o limpar e depois é que vai para a sua morada na web...

Vemo-nos por aí,


Abraçorros.

Frederico Nunes "Froids"
@2015

sábado, 2 de maio de 2015

Raid'oVento "REVISITED" # I

Por trilhos do meu quintal. De Porto Salvo a Sintra, ida e volta, novamente!

Quando acordei no Sábado seguinte ao dia do Trabalhador, tinha ainda na memória o "Raid'oVento".
Passeio por mim preparado para os meus amigos Santamaltenses, onde o empeno foi proporcional à ventania e sobre o qual já escrevi umas linhas há uns dias atrás;

Na realidade, ao deitar o olho ao panorama sobre a serra, assim que acordei, deu para adivinhar uma jornada bem mais tranquila e foi por isso com bons ânimos que, depois da missa matinal, fechei o portão da garagem e me fiz ao caminho que tinha pela frente.


O objectivo era treinar. E a moral estava para isso mesmo!
Posto isto, a escolha recaiu obrigatoriamente sobre o percurso do Raid "Raid'oVento". Um percurso com uma boa distância, um acumulado jeitoso, que conheço bem, e que tem a particularidade de me obrigar a alguma disciplina mental para não atalhar as rampas mais duras e evitar as subidas do final. Estes 70kms, cumprem uma boa passeata e são uma excelente base para medir progressos aqui do artista pedalante, no que toca aos treinos e seus resultados.

Desta feita, percorri a distância em 4H30 de pedal. Certas! Na totalidade demorei mais uma hora e dois minutos. As minhas paragens quando sozinho são sempre mais demoradas, tenho que confessar. São as fotos, é comer, é o cigui... Enfim...
Mas como o que me interessa é o tempo de pedal, ficou fácil para contrastar com o próximo sábado. E sendo que não efectuei nenhuma paragem por cansaço e apeei apenas no final da rampa acimentada de acesso à VOR, posso considerar que já noto nas pernas e condição a melhoria que procurava atravás do meu planito de treino.
Este dia foi um bom exemplo disso. Um percurso digno de uma maratona, com um total de subidas que supera os 1500m em 4 horas e meia é para mim um verdadeiro "achievement" conseguindo as tais médias na casa dos 16km/H...

Mas vamos por partes;
Arranquei de casa eram 08H00 rumo ao Mercado de Porto Salvo, onde teóricamente se inicia este Raid. Nem paro. Meto o GPS a zeros e sigo para a frente a todo o gás. Literalmente! Sentia-me bem e com força.
A segunda paragem, e uma das mais demoradas, faço-a sempre na Lagoa Azul. Desta vez não foi excepção. Chegar aqui cedinho a um Sábado dá direito a bilhete na primeira fila para assistir aos patos a lavarem os dentes, bico e penas, e ao concerto que a Mãe Natureza dá, quando ainda não há poluição sonora de outra espécie. Resumido, um festim para alma e sentidos.







Ah, mas ía-me esquecendo da paragem para o café matinal;
A primeira paragem do dia. E essa foi no mesmo café em Talaíde onde parei com a malta na volta anterior, e onde me vi olhado de cima por um individuo pequenino, inclusive na cabeça, que conheço embora ele não me conheça a mim, e que por ser dono de uma loja de bicicletas, deveria ter outro comportamento. Eu pelo menos acho falta de respeito toda a atitude de desdém, mas pronto, sou eu.

Agora, se me querem tirar a pinta, ao menos que me queiram comer! Tirar-me a pinta pelo que eu levo vestido ou piloto, é foleiro. Teve azar - depois de uma mirada mais atenta enquanto eu tragava o café cheio - que vestido eu, levava Assos da cabeça aos pés e pilotar, piloto uma bike de Ti que ele talvez gostasse de ter... 
Temos pena. Ou não! Aliás, fui uma vez em tempos à loja deste companheiro e não mais lá voltei, mesmo sendo quase à porta de casa. Afinal talvez não estivesse assim tão enganado.

Deverei no entanto voltar ao estaminé - à Taberna, entenda-se. 

Porque o senhor dono do mesmo é simpático, e por ser o único sítio aberto àquela hora... Mas isso não pesa na equação. Ou pesa menos(!)

Desde a Lagoa Azul até aos Capuchos é um tirinho, mas que consome alguma energia. Por isso voltei a parar na entrada para o que era o antigo "Single Maravilha" para papar mais uma banana e fumar o primeiro cigui da manhã. E que bem que me souberam ambos eheheheh



Os trilhos nesta zona estão todos destruídos pelos madeireiros, pelo que é seguir como se pode por entre detritos de ramos velhos, grandes, pequenos, arbustos e etc... Muitos etcs.
A determinada altura vejo um companheiro parado no meio do caminho. Na frente dele tinha uma enorme poça de lama que ocupava todo o trilho de duplo rodado e mais além. No meio dessa poça, vários ramos de vários tamanhos, arbustos e mais etcs. E ele estava parado, com a bicicleta no meio das pernas, a olhar para a lama como se estivesse a olhar a TV. Não sei se estava à procura de melhor caminho, ou na esperança de encontrar algum sitiozinho sem lama, não sei. Só sei que estava parado no meio do caminho. Eu cheguei, abrandei, apontei para a zona numa das bermas que me parecia mais seca e segui caminho, preparado para aquele enterranço ou da roda da frente ou da traseira. Não havia outra forma, mas afinal a crosta superficial nem partiu, sendo que nem sequer sujei as rodas. O rapaz seguiu pelo mesmo sitio que eu aposto, mas nem olhei para trás para confirmar (!)

Num ápice chego aos Capuchos e assim que o Convento fica para trás, começo imediatamente a desesperar com a ideia da subida aos Tholos do Monge. "Kaputa" de subida e mesmo sabendo que não a terei que fazer completa, tenho apenas que subir o troço mais duro e empinado, o inicial, e aquele que eu detesto.

Grrrrr Porque raio meti eu esta rampa no meio do track?
Pois, não sei...
Pergunto-me o mesmo sempre que estou de frente para ela (!).

Deste vez não desci da Peninha pelos singletracks mais técnicos. Andava outro género de madeireiros nessa encosta da serra. Desci pelo estradão e contornei parte da vertente Sul para começar a descer depois pelo lado da Pedra Amarela.



Sigo por alguns trilhos técnicos e outros mais fluidos na última parte da descida até à Barragem do Rio de Mula e num instante estou a deixar para trás os terrenos da Quinta do Pisão e que tenho que ultrapassar para chegar aos lados da Atrozela.



Da zona do Autódromo Fernanda Pires da Silva – que nome ridiculo...
Da zona do Autódromo do Estoril – bem melhor - restam poucas dificuldades, mas restam algumas. Nomeadamente a subida ao monte da VOR de Cascais e respectiva descida para Barrunchal. E foi precisamente num café deste lugar, Barrunchal, que fiz a mais demorada paragem. Estava cansado e desabafei-o à rapariga gira que me serviu mais um café.

Passava do meio-dia e eu parado a beber café, a meia dúzia de quilómetros de casa. Era sinónimo de entalão, mas ninguém ali desconfiou, além da rapariga gira.

A páginas tantas perguntei a um senhor que tinha vindo à porta – eu estava na esplanade – se ali passavam taxis. 

Não riu, não sorriu, só disse que se eu chamasse, que sim, não tinha porque não passar. 
Não me percebeu a ironia e eu tentei explicar. 
Ficámos na mesma. Não riu, não sorriu, desta vez nem nada disse.


Mas eu ri-me. Sozinho (!) E depois saquei a Selfie abaixo...



Esta cena aconteceu tipo 15 minutos depois de eu já ter acabado o café, cigui e ter muito pouca vontade de me mexer dali para fora! Tinha que me rir! Tinha que ir até casa ainda e não seria de Taxi. Mas estava cansadito e a apetecer-me um banhinho. Conforto portanto era o que eu precisava e não de mais uns quantos quilómetros que eu ainda por cima sabia ruins. 






Mas lá teve que ser e, afinal, a descida para a Lage e consequente subida pelos passadiços do Lagoas Park, subida aos antigos Moinhos de Vento do Bairro Auto-Construção e mais 500m de singletracks até ao Mercado de Porto Salvo foram super tranquilos de se fazer, com as perninhas a terem ainda Watts para debitar. Não muitos é verdade, mas os suficientes para manter bom ritmo!


De resumo, um treino porreiro, onde estreei uma nova Playlist no mp3 e em que curti à brava!

Os trilhos, as sensações, a música nova... Uma grande manhã de BTT que só teve um senão; Desde que substitui o meu antigo espigão de selim com recuo pelo Thomson que ainda não voltei a ficar perfeitamente confortável na bike. No final da volta voltou a doer-me a zona lombar. Teria mesmo que efectuar as alterações que já tinha em mente, mas que andava a adiar...
No domingo seguinte houve mais, mas com a Santa Malta no Quintal deles. E já com as tais alterações na bike concluídas.

Mais meia centena de quilómetros, com um ritmo mais endiabrado que o habitual e a relembrar um pouco o de outros tempos... Mas isso é crónica para outra posta!

Até lá,

Vemo-nos por aí!

EDIT: O track está na pasta "Tracks GPS"

Abraçorros,
Frederico Nunes "Froids"
@2015

domingo, 12 de abril de 2015

XIº Trilhos&Courelas & Iº Troféu Singlespeed "Py Gim"

Cróncia "XI Trilhos&Courelas" & "Iº Trofeu SingleSpeed "Pi Gym"

De armas e bagagens, entenda-se bicicleta e restante parafernália, rumei a Vendas Novas para participar no XIº Trilhos&Courelas. Esta edição contou também com o 1º Troféu Singlespeed "PiGym", e foi esta brincadeira que me levou ao percurso da meia maratona, com cerca de 47kms e um acumulado a rondar os 550m. Prova bastante rolante e sem dificuldades técnicas de qualquer espécie. Descobri hoje que isso não tem obrigatoriamente que ser mau, não ter grande ou nenhuma dificuldade técnica. Até as descidas foram todas elas suaves e feitas sempre a bom ritmo, muito por culpa do estado dos trilhos que estavam muitíssimo bons para desfrutar. 

Apesar das chuvas da semana que antecedeu o evento, o solo manteve-se compacto e rápido, mesmo nas zonas mais húmidas, sempre com excelente tracção. A organização soube evitar as zonas e trilhos que se mantinham, à hora da partida, impraticáveis.
Esta esteve bem em todos os aspectos, principalmente nas marcações do percurso M. Raramente corro uma prova, mas nesta, sempre que tirei os olhos do chão, lá estava uma fita a indicar o caminho correcto. Os banhos, assim como o levantamento do dorsal, estiveram irrepreensíveis.

Mas deixem-me contar-vos tudo...


Por não saber dos restantes Singlespeed'ers, entrei cedo no controlo 0 e fiquei muito bem posicionado na partida. 


Já tinha encontrado, e conhecido pessoalmente, o Miguel. O companheiro com quem vou fazer a Via Algarviana, em Setembro deste ano e, que só conhecia do mundo virtual. Mas como nunca mais o vi a não ser no final, resolvi aplicar-me a sério e tentar dignificar ao máximo as cores da minha Santa Malta!


Arranquei, como dizem os nuestros hermanos, a Tope!

E, apesar de ter sido quase de imediato ultrapassado por 1/3 do pelotão, consegui manter a liderança do troféu até perto do km15 ou coisa que o valha. 
O ritmo dos primeiros durante os primeiros quilómetros de qualquer prova é sempre alucinante, ainda para mais quando é absolutamente plano durante uns valentes "clicks", tenham mudanças ou não tenham! E eu, junto com os restantes, seguia a fundo...

No entanto, nas primeiras subiditas fui alcançado pelo Júlio e rodei cerca de 2 minutos na roda dele para o voltar a ultrapassar de novo. De alguma forma lá me livrei dos muitos companheiros que rolavam lentamente à minha frente e consegui descolar do Jules, mas pouco depois era ultrapassado por um foguete que não mais vi durante toda a prova. E acreditem quando digo que fui sempre a dar gás! 

O homem pura e simplesmente levava lume naquele carreto. 
Talvez fosse a rolar com 32/16 ou 34/18 ou mesmo mais pesado, ou talvez fosse só forte comó car#!/%$".
Seja como for, outro campeonato…

Resumi-me ao meu ritmo e assim segui, sempre a passar pessoal nas subidas e descidas e a conseguir manter alto ritmo nos planos, chegando mesmo a papar muita malta de 26", 27.5" e mesmo 29"! Só ao Singlespeed'er Fantasma é que eu nunca mais lhe chegava á roda.

Nem chegava, nem nunca cheguei!

Já levava ligado o "chip" de corrida no modo "On" e nunca levantei pé, a não ser quando tinha fulanos lentos que nem uns texugos a arrastarem-se à minha frente. Esperava, respirava, pedia licença e passava quando podía. Mas á carai, que assim que podia... Felizmente que já chegaram os meus novos pedais, que aqueles entragram Domingo a alma ao criador!


Com perto de 25/30kms feitos, nem sei bem, comecei a ficar com dores anormais nos gémeos. A zona lombar já se tinha queixado algumas vezes lá para trás sempre que metia força nos cranks – até aqui tinha vindo maioritariamente a pedalar em pé. Após uma análise ás dores que me estavam a afectar, percebi que vinha com o selim demasiado baixo e, depois de uma zona de abastecimento e numa pista larga de gravilha encostei para corrigir a cenaça! Assim que me sentei em cima da bici novamente nem queria acreditar na minha burrice, mas o estrago estava feito. As dores nos gémeos não mais me largaram até final e a zona lombar, apesar de ter dado algumas tréguas, ficou bastante aborrecida comigo!


No entanto, mantinha dentro do possível, o meu andamento num ritmo vivo e forte, constantemente a ultrapassar pessoal e sempre de olho se era passado por algum concorrente directo, além do pessoal das mudanças... Ninguém passava a puxar só um carreto e isso era bom sinal. Mantinha o meu segundo lugar na geral do troféu e isso mostrava-se motivação de sobra! 


As subidas foram a full power, as descidas a voar baixinho e os longos planos que atravessámos foram feitos, de igual modo, a meter toda a força que tinha nos pedais, mas do homem que rolava em primeiro, nem a sombra lhe cheirava. A não ter captado imagens do bruto em vídeo e seguramente diria que tinha sido alucinação minha!


Os trilhos, esses, mantiveram-se sempre fáceis e sempre interessantes e a temperatura a roçar a ideal.

Acabei a concluir o percurso em 2H20, com uma média jeitosa para quem não gosta de rolar e mantive a minha segunda posição até final.

E coisa que não acontecia desde há muito, tive tempo de antena e tudo à chegada! Sendo o 2º classificado do Troféu, ainda tive direito a duas palavrinhas para o Speaker de serviço! Só não houve pódio, o que foi pena, já que essa sim, teria sido uma experiência memorável nestas minhas andanças do BTT. Não houve pódio mas houve Jersey de “presente” eheheh

Obrigado Pedro, por toda a trabalheira em meter esta coisa de pé, por puro amor à camisola e carolice!

Ainda tive o privilégio de encontrar malta amiga, os Piratas, que me dobraram nos quilómetros iniciais. Trocámos umas palavras, votos de boa corrida e acabamos por nos separar com eles seguindo adiante. O ritmo era alto e rolávamos em plano. Ainda assim, acabei sem saber bem como, por chegar ainda primeiro que eles. Voltei a revê-los já depois do banho tomado quando estes se dirigiam para a lavagem das bicicletas.


Melhor ainda que a prova, foi a parte da “hidratação” final! O almoço foi com a restante malta amante desta vertente do BTT. Os barbudos das Singlespeed! A sopa, o porco no espeto e o belo do jarro de tinto carregaram as baterias ao mesmo tempo que a conversa se mantinha de animada. Tudo top!


Em resumo, um dia muitíssimo bem passado! Bom convívio, bons trilhos, boa organização, bom tempo e acima de tudo, muito boas sensações durante toda a prova. É bom perceber que, quando se quer mesmo e se faz por isso, as coisas tendem a surgir… Estamos aí para as próximas aventuras!


Em jeito de remate, obrigado a todos pela companhia nos trilhos e fora deles, por toda a boa onda e civismo do pessoal (com excepção feita a um caramelo que jogou o plástico do cubo de marmelada para o chão mesmo à minha frente. Escusado será dizer que levou uma rebocada de todo o tamanho. Não o poupei! Entre outras, ainda lhe perguntei se lá em casa dele fazia o mesmo. Não me respondeu, limitou-se a olhar para o chão enquanto continuava a pedalar. Acabou a pedir-me desculpa ao que lhe respondi que não tinha que me pedir desculpa a mim, que teria que o fazer a todos que ali íamos. Que os trilhos não são meus mas sim de todos e que estava a faltar ao respeito a todos nós, aos mais de 1000 inscritos. Ficou a olhar para mim feito tolo! Porco…


Mas felizmente deve ter sido dos poucos, porque vi pouquíssimo lixo deixado nos trilhos. Mas, continua a acontecer, o que é lamentável…

Para a organização, um bem-haja por aceitarem esta iniciativa do Pi Gym, e se para o ano se repetir, contem novamente com este magrela nas primeiras filas da partida!

O filmito que fui fazendo durante a prova...

O track do percurso da meia-maratona pode ser encontrado na pasta "Tracks GPS"


Abraçorros!

Froids
SantaMalta / GearsAreForPussys

domingo, 29 de março de 2015

Raid BTT "Porto Salvo – Sintra – Porto Salvo"


Raid BTT "Raid'o Vento"
A crónica.

Quatro amigos sairam do local combinado à hora exacta; Eu, o Tuca, o Swoop e o Queimado.
Devido ao forte vento que já se fazia sentir naquela hora matutina, optámos por efectuar algumas alterações ao percurso proposto, evitando desta forma, pedalar com vento frontal nos primeiros e últimos quilómetros desta aventura.

Com pouco mais de 5kms percorridos, num dos primeiros e mais traiçoeiros singletracks do dia, o Tuca deixa escorregar a frente da sua menina para as profundezas de um rego escondido no meio dos pequenos tufos de erva e em menos de nada brinda o solo com o carimbo do seu jersey!

Honra manchada e bicha do cabo de mudanças partida como resultado. O Queimado que seguia na roda do nosso amigo teve o previlégio de ver a cena em primeira mão. Diz que foi aparatosa!

Parámos para a toma do café da manhã ainda antes da queda do Tuca, em Talaíde, numa espécie de taberna, e que era o único que se encontrava aberto.
Sem mais dificuldades além das proporcionadas pelo forte vento, fomos andando bem até entrarmos na Serra pela Quinta da Beloura, em direcção à Lagoa Azul, onde efectuamos a primeira paragem para petiscar qualquer coisa e dar uma vista de olhos no sistema de mudanças da bicicleta do Tuca que se viu afectado com a queda anterior. Desde aí até final, o nosso companheiro teve que lidar com umas mudanças saltitonas e teimosas.
Aqui soube também que o Swoop vinha mais leve, com menos um raio na roda traseira (!)
WHAT?!?

70Kms de caminhos, dos quais a grande maioria deles seria em trilhos pedregosos e técnicos, duros e exigentes para o material. Seria uma sorte qualquer roda com menos um raio e já empenada resistir ás inclemências a que iria ser sujeita. Mas sobreviveu e o Bruno conseguiu chegar aos carros ainda a rolar, mas num estado que nem vos conto. Só para terem uma ideia, ainda a largos quilómetros do final o Swoop já tinha deixado de poder meter força em cada pedalada, obrigando o rapaz a uma cadência leve, tão diferente daquela que o homem gosta!
Os barulhos provenientes da traseira da bike do "Snoopy" faziam lembrar o chincalhar das pulseiras das ciganas.
O Queimado esse, seguiu sempre forte! Com a sua 29 trepou tudo o que havia para trepar, normalmente sempre na frente do nosso grupinho, a puxar e a guiar a malta com o seu GPS. Ou então não guiou ninguém, mas foi de certeza o que fez mais quilómetros, já que nunca acertou num desvio :)

Fizemos alguns atalhos pontuais na zona do alto da Serra devido a alguns caminhos cortados ou danificados e dei a conhecer aos meus amigos outros novos. Fomos abastecer de água e comer mais qualquer coisa aos Capuchos, onde chegámos por mais uns trilhos novos e outros já conhecidos mas em sentido descendente que é sempre melhor; Na Peninha descemos para um singletrack novo e brutal, onde achei sinceramente que o Bruno iria perder a roda traseira. Desde a Peninha que o sentido do percurso era descendente, mas também o vento alterou um pouco a direcção e ao invés de soprar nas nossas costas, soprava um pouco de lado, não ajudando o desejado na progressão do grupo, a esta altura já mais lenta e cansada.

Mais uns trilhos muito bons durante toda a descida e mais uma queda do Tuca.
A determinada altura, o singletrack onde circulávamos tinha umas acácias partidas e penduradas no meio do trilho. Eu passei bem; o Tuca vinha a uns cinco ou sete metros de mim. Desço cerca de cem metros e olho para trás. O nosso companheiro já não vinha lá e percebi imediatamente que teria passado algo. O trilho era estreito, inclinado, falso e técnico. Propenso a um deslize, a uma queda. A acácia não deixou o Tuca passar, agarrou-lhe o guiador e jogou o rapaz ao tapete. Esta queda, não deixando marcas no material, deixou-as na pele do nosso amigo!
A roda do Swoop continuava a resistir às maluqueiras, às pedras e às ráizes dos muitos trilhos e singles por onde continuávamos a descer.
O Queimado, forte, inabalável e imparável.
Eu começava a acusar cansaço e alguma menor reacção nos reflexo, acabando por sofrer um "susto", ao falhar uma trajectória numa zona bastante pedregosa. Por acaso tive alguma reação de abortar a tentativa de corrigir a frente e optei por saltar por cima do guiador da bicicleta e aterrar de pé, no meio das silvas e arbustos, sem um arranhão.

Daqui até ao final fomos alterando o track para fugir um pouco das subidas mais fortes e evitar o final a pedal com vento de frente; Caminhos mais simples e menos exigentes foram de bom grado de todos. O cansaço mostrava-se evidente, mas era o material das bikes do Tuca e Swoop que mais se queixava.

Terminámos a descer a gosto de todos, e acabámos a comemorar a façanha no Pandinha, com umas cervejas e um breve descanso!
A malta estava cansada, eu estava e conseguia ver o mesmo na cara dos meus companheiros, mas afinal sempre tinhamos acabado de cumprir 70kms certinhos de duros e exigentes caminhos, com um desnível total de acumulado positivo de cerca de 1500 metros. Tendo saído às 08H15, chegámos ao final às 14H15, com uma velocidade média de andamento de 13.8km/h, bem longe portanto do "entre os 15 e os 17"!

Aos meus companheiros de "Raid", um grande obrigado pela companhia, é sempre um prazer pedalar com vocês, meus amigos!
Espero que tenham gostado, e que por esta altura o empeno já tenha passado!

O vídeo resultante da aventura...


O percurso em formato *.gpx encontra-se disponível na pasta "Tracks GPS".

Abraçorros
Frederico Nunes "Froids"