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domingo, 6 de setembro de 2015

Maratona BTT Mafra80

A logística parecia quase impossível.
A Sandra e eu, dois miúdos e um cão. Tudo junto com uma bicicleta e mais duas mochilas além do material de BTT da Sandra. Tudo mais ou menos arrumado dentro da minha caixa com rodas.
Quando fechamos a porta traseira da carrinha a Sandra diz-me: É oficial. Tens o carro cheio!

E pelas 07h45 estavamos a sair de casa para uma aventura que jamais irei esquecer.

E eu nem pedalaria!
Logo Domingo que é sempre - ou quase sempre - dia de BTT. E neste caso, seria o dia da maratona de Mafra, para ser mais preciso. Mas não iria pedalar e não o iria fazer por decisão pessoal.
Ficaria responsável, apenas e só, por tomar conta dos dois miúdos da Sandra, de ir com eles ver a mãe passar em 4 ou 5 pontos dispersos ao longo de um percurso de 80kms e nestes pontos tirar algumas fotografias à malta que ia passando para mais tarde se recordar.
Se isto dito assim parece relativamente simples, na prática não foi assim tanto.

A Maratona Mafra80 é organizada por malta conhecida da Sandra e, devido a isso, amigos e conhecidos estavam um pouco por todo o lado.




O pouco tempo da manhã que nos sobrou desde que chegámos e estacionámos o carro, até ao toque do sino da partida passou num ápice. E à medida que a Sandra se ia preparando, eu ia-me ambientando ao que seria a rotina do meu dia.
Arrancamos para a zona de meta e a Sandra rapidamente se integra naquele ambiente que eu tão bem conheço mas que nunca tinha visto daquela perspectiva de espectador. Fotografia para aqui mais fotografia para ali e ia matando as saudades que também tinha de fazer retratos com uma máquina decente! Mas tinha que me manter concentrado em não perder nenhum dos putos, não perder o cão nem deixar este arrastar com ele nenhum dos catraios!




O excelente ambiente que se vive é propicio à enorme quantidade de sorrisos que se vêem por todo o lado, mas por debaixo destes, o nervoso miudinho da Sandra e dos restantes atletas era facilmente perceptível.
A Sandra iria fazer a sua estreia em provas deste género, pedalando o percurso maior, sozinha.
Iria estar entregue a si própria nesta aventura. Uma corrida contra o seu intimo e contra duas ou três adversárias que ambos sabíamos difíceis de ultrapassar.
Com o aproximar da hora, eu e os miúdos acabamos por a perder de vista no meio de todos aqueles que se juntam na manga da partida.
O sino de partida ouve-se nas escadas às portas do Convento! As quase quatro centenas de participantes arrancam direitos à Tapada de Mafra e dão-se inicio às hostilidades.




Nós os quatro deixamos o último atleta passar por nós e arrancamos direitos ao primeiro ponto onde poderíamos ver a corrida passar. E esperamos não mais que cinco minutos até aparecerem os primeiros atletas, agrupados, a uma velocidade imprópria para cardíacos. Esperamos mais um pouco sem eu conseguir precisar quanto.
Vou tirando fotos enquanto a malta vai passando, parecem motas, uns em grupos maiores, outros em grupos mais pequenos ou mesmo sozinhos. Passa o Rui Fragoso, passa o Edgar e o Vitor do CSSPF, o André e o Jorge Pedroso... Vou vendo passar amigos e muita malta conhecida e de repente passa a Filomena, uma das principais adversárias da minha companheira! Ou mesmo “A” adversária da Sandra, porque todas as outras são mera “paisagem” e não são pária para a minha Pitufa!
Desperto e largo as fotografias por momentos. Três ou quatro minutos e surge a Sandra. Vinha em segundo, bem classificada na geral e a uns escassos minutos da sua referência no desporto.
Grito-lhe a sua posição e o tempo que as separa e trato de me enfiar no carro! Os miúdos nem de lá tinham saído junto com o patudo. Estávamos parados à beira da estrada de asfalto, num local pouco interessante de paisagem ou para fotografias.
Afino o GPS para o próximo ponto onde poderíamos encontrá-la e tirar umas fotos em condições. Ponto esse localizado quase no final da subida de Montesouros, a primeira subida dura do percurso e que iria surgir ao km 11, sensivelmente.
Aí chegamos rapidamente, mesmo a tempo de ver passar novamente os primeiros e logo depois outros, e mais outros, incluindo quase toda a malta amiga que está forte e a andar bem.






Vou tratando de incentivar a malta que conheço enquanto lhes saco uns sorrisos que imortalizo em retratos!
Invariavelmente a primeira mulher que avisto é a Mena, a trepar os metros finais daquela subida, forte e de andamento sólido, tipo máquina! Bum, bum, bum, bum, martelava os pedais rampa acima e passa por mim tipo foguete, sem levantar os olhos da linha imaginária que seguia, concentrada, focada!

Começo de imediato a fazer contas. A Sandra teria que estar a aparecer...
Mas entretanto passa mais malta amiga. Passa o Jorge Pedroso, passa o Carlos com a sua bicicleta “singlespeed”, também ele a martelar os pedais rampa acima, num esforço e tipo de cadência que me são tão familiares.



Passam mais uns quantos ciclistas, não muitos e eis que surge a nossa atleta.
Avisto-a ainda ao longe, identificando-a pelas cores do equipamento.
Volto a fazer as contas aos minutos que separam a primeira da segunda classificada, e aparentam agora ser menos do que no primeiro ponto.

A Sandra tinha ganho algum terreno à Mena e isso encheu-me de orgulho! Vinha forte, vinha motivada e digo isso ao Miguel que estava mesmo ao meu lado, ansioso, à espera de ver a mãe passar!
E quando ele a vê a ela, quando ela o vê a ele, quando se vêm... Foi um momento mágico, comigo a ficar sem palavras e de nó na garganta!

A expressão na cara da Sandra ao passar por mim foi, por si só, testemunha da intensidade com que ela viveu aquele momento...








Volto a inteirar-me que ela estava em corrida, contra ela própria mas também contra adversárias de carne e osso e volto a gritar-lhe que continuava em segundo lugar e que tinha ganho algum terreno para a primeira.
Mas vou continuando a premir o botão da maquina fotográfica.
A Sandra segue já de costas para mim, ainda com o Miguel a correr ao lado dela e avista a Joana que estava sentada dentro da mala aberta do carro, com o cão ao lado...
Mesmo sem conseguir ver a cara da minha companheira, aposto que foi dos melhores momentos que ela já vivenciou nisto das BTT!



Começo a acreditar que é possível ela colar na roda da Filomena. Mulher muito mais experiente e grande atleta em perfeita forma física, muitíssimo mais rodada que a Sandra neste tipo de provas. Mas o que falta à Sandra em experiência sobra-lhe em vontade e atitude e já vi essas duas condições fazerem a diferença em mais de que uma ocasião, pelo que comento com a Joana, algo emocionado até, que a mãe deles vai a ganhar terreno a uma verdadeira “pró” e que só por si, isso já é sinónimo do quanto a mãe deles é grande neste desporto.
A Joana acaba por me responder que a mãe dela é ainda melhor que essa tal de Mena, porque o que essa “Pró” fez em mais de uma década de treinos, a mãe dela está quase a conseguir em pouco mais de ano e meio...
O Miguel contrapõe com a teoria dele:

- Essa Mena é o Cristiano Ronaldo e a mãe é o Messi! - Diz o Miguel para a irmã, do banco de trás...
- Ahh, não podes comparar as bicicletas com o futebol! - Diz-lhe ela em tom reprovador.
- Posso, posso! A Mena é o Cristiano porque teve que trabalhar para chegar onde chegou, e a mãe é o Messi porque nasceu com o talento! É assim, simples.

Fico calado, sem me atrever a interromper aquele magnifico raciocínio, mas penso...
Senhores, não é que os fedelhos têm razão?!
De alguma forma a Sandra tem conseguido subir o seu nível de forma exponencial e consistente e está de momento a andar bastante bem, faltando-lhe, claro, a experiência e a sabedoria que esta traz consigo. Eu, pela parte que me toca, vou fazendo todos os possíveis para que cada vez acredite mais em si própria, nas capacidades e no poder que tem.
Continuando a treinar de forma consciente das suas lacunas e tentando melhorar estas, continuando a treinar forte e sistematicamente e sem dúvidas que irá dar muitas dores de cabeça às suas adversárias e muitas razões de orgulho à sua família e amigos!
E nesta conversa vamos seguindo. Eu a Joana, o Miguel e cão!

A igreja da Senhora do Ó seria o palco do primeiro abastecimento da prova, coincidente com ambos percursos, maratona e meia-maratona e foi para lá que nos dirigimos após sairmos de Montesouros.

Era domingo e dia de missa, e o local da pequena igreja estava já apinhado de carros quando lá chegamos. Estaciono como posso, que foi mal e porcamente.
Saímos para a rua e esperamos!


Ainda nenhum atleta tinha passado e tardariam ainda uns minutos largos a chegar, mesmo os primeiros. Este local era já depois da passagem pela praia de S. Julião, e distante cerca de 23kms do último ponto de encontro, em Montesouros, pelo que haviam uns quantos trilhos a percorrer, alguns deles técnicos.
Aqui o calor já se fazia sentir com alguma violência. O dia estava mais quente que os anteriores, dificultando um pouco a vida ao pessoal das bicicletas.




Esperamos bastante até que passe a Mena, ainda em primeiro, com o seu ar de máquina, de tanque de guerra impenetrável e indestrutível. Não pára, não abranda sequer. Foi como se aquele abastecimento nem sequer existisse...



Penso em como virá a nossa menina. E penso que será difícil para ela manter aquele andamento de luxo durante horas a fio. Mantendo o foco e concentração necessárias, sendo essas as duas grandes fraquezas da minha amada.
Esperamos mais uns minutos. Parecem uma eternidade!
Tinha para mim, secretamente, que a Sandra iria ser capaz de manter a motivação e o andamento e que seria ela que iria aparecer a qualquer momento para efectuar o controlo uns metros mais atrás do sitio onde nos encontrávamos, os quatro. Eu, o Miguel e a Joana, mais o patudo, todos ansiosos por ver a mãe chegar.
A Joana vai buscar uma garrafa de água e coloca-se em posição para ser ela a aguadeira da mãe, ideia do André Pimenta e que foi de mestre, diga-se de passagem!
Mas a Sandra tarda em aparecer.
Começamos a pensar que poderá ter passado alguma coisa, um azar...
A segunda atleta a surgir acaba mesmo por ser a Rita Esteves, que avistamos a chegar ao controlo de dorsais, enquanto da Sandra nem sinal. Assumo que terá acontecido algum imprevisto, fácil de acontecer nestas andanças. Um furo, uma corrente partida, eventualmente uma queda....
A Rita abranda mas também não pára no abastecimento... Segue no seu ritmo empertigado, relativamente lento e compassado, adiante, até a perdermos de vista na curva após a igreja.
Vou falando com o André, tentando enganar a ansiedade e a preocupação e fazendo por não o mostrar aos miúdos, embora também eles tenham já percebido que a demora e a actual terceira posição da mãe não são o cenário ideal.
Mas a Sandra acaba por surgir ao longe, reconheço-a novamente pelas cores do equipamento, ainda uns metros valentes antes do tal controlo de dorsais. Chega ao abastecimento e acaba por parar ao ver a filha de braçito estendido e de garrafa de água na mão, já depois de ter passado pelo Miguel, empoleirado em cima do muro ao lado da igreja.


Foi irresistível e tornou-se de paragem obrigatória para a Sandra.
Eu aproveito e acalmo a minha ansiedade perguntando-lhe como está e o que se passou.
Nada de quedas nem avarias mas tinha ficado retida num engarrafamento num dos trilhos mais técnicos, devido a malta mais lenta.
Confirmo-lhe que é agora terceira e que segue uns minutos atrás da Rita. Noto-lhe já algum cansaço junto com um pouco de desânimo.
Estando a sair sozinha do abastecimento, e com duras rampas pela frente, temi que fosse quebrar ainda mais o ritmo e que começasse a acusar o desalento de seguir sozinha a lutar - e que achasse que de forma inglória - contra adversárias mais fortes e mais experientes. Sei bem a dureza que é continuar a insistir apenas contra nós próprios e o que isso implica de auto-controlo, perseverança e determinação e temia que a Sandra cedesse ao facto de não ter uma lebre que a levasse adiante e que não a deixasse desanimar.
Nesse momento senti-me realmente impotente para a ajudar.
Como queria estar ali, a pedalar com ela, para lhe dar a minha roda, para a ajudar nos momentos mais duros, e a ajudar a chegar novamente à roda da segunda classificada e quem sabe ir tentar buscar, novamente, aqueles 4 ou 5 minutos de diferença para a Filomena que continuava a rolar em primeiro, inabalável.
Foi um momento duro para mim, vê-la arrancar daquele abastecimento, sozinha e entregue a si própria, mesmo sabendo que isso só a ajuda a crescer e ser ainda melhor atleta!
Precisei mesmo de me dizer isto duas ou três vezes até me mentalizar do mesmo.
Mas apre, que custou um mundo e foi com dificuldade que voltei a enfiar-me no carro para ir com os miúdos até à praia comer uns gelados.
E durante os minutos que durou essa curta viagem segui calado, pensativo, ansioso.
E essa sensação de ansiedade e impotência só passou já tinha estacionado o carro na praia de S. Julião.
Saímos para a rua os quatro e passados uns minutos vemos passar novamente malta da maratona, e já após os gelados lambidos, comidos e saboreados, quase 30 minutos depois, voltamos a ver passar malta com frontais alusivos à prova, incluindo algum pessoal do GDCTINCM que percorriam os trilhos da meia-maratona.
A Sandra levava deles bastante mais de uma hora de avanço e essa ideia voltou a tranquilizar-me e a fazer-me acreditar em pleno nas potencialidades daquela força da Natureza. Pela mulher de garra que é e pelo que já me mostrou no passado, sabia que ela não baixaria os braços enquanto pudesse lutar e tivesse força naquelas pernas. Volto a acreditar nisso. Mas era preciso que também ela acreditasse, que não se esquecesse que era capaz. Era preciso que ela acreditasse, sempre! E esse mantinha-se o meu medo!
Da praia saio mais os miúdos e o cão que andou todo o dia à trela, a puxão para um lado, a puxar para outro, todo o dia numa correria que para quem gosta é de sopas e descanso, não era todo a mais confortável. Pouco passava das 11h20 quando saímos da Senhora do Ó em direcção à praia e perto do 12h15 andávamos á procura da Aldeia Típica de José Franco que encontrámos, mas na qual nem entrámos porque ao Miguel não lhe apetecia!
E além disso começava a pairar no ar o cheiro das horas de almoço!
Era tempo de eu tratar de descobrir onde levar dois catraios pequenos a almoçar... Adivinhais o sítio eleito?! Por mim, não por eles! Responsabilidade do devaneio a quem de direito...
Acabamos a enfiar pelas goelas abaixo uns menus do McDonalds em Mafra, enquanto fazíamos tempo para nos deslocarmos até ao último ponto antes da meta, ao km 63.
Da igreja da Senhora do Ó a este local estavam 30kms de duros trilhos. De subidas e descidas, muitas delas exigentes e demolidoras, como só aquela zona o sabe ser.
Em conversa com o André Pimenta e para estimar tempos, calculámos cerca de duas horas e meia, mais coisa, menos coisa, entre um ponto e outro.
Arrancamos e chegamos ao último abastecimento as 13h15, menos de duas horas depois de sairmos da Senhora do Ó.
A Joana pergunta ao David Salvador Martins se a mãe já passou e este diz que sim. A Sandra tinha passado já, há cerca de 10, 15 minutos.
Faço contas e percebo de imediato que levava um ritmo muitíssimo bom, com uma média superior a 15km/h. Mantinha a terceira posição e não tinha ainda conseguido ultrapassar nenhuma das suas adversárias, mas ainda assim mantinha-se “na corrida”...
A média que ela ia a fazer volta a meter-me um largo sorriso nos lábios e a fazer crescer-me novamente a ansiedade no peito!
Que forte, jasus!
Que brutalidade está esta rapariga!
Só espero que não haja percalços até final...
Lembro-me de pensar para com os meus botões.
A Sandra não tinha desistido da sua guerra pessoal contra ela própria e continuava a martelar forte nos pedais. Só podia, porque eu contava em vê-la passar por volta das 13h30 e ela passa antes ainda, com uma média acima de 15km/h! E naquele terreno, médias dessas são médias de valor!
Despeço-me da malta que se encontrava nesse abastecimento, do David principalmente, desejando-lhes continuação de bom trabalho. Voltamo-nos a enfiar-nos dentro do carro e arrancamos a todo o gás em direcção à meta, agora colocada na lateral Sul do convento.
Começo a ficar com receio de não chegar a tempo de ver a nossa atleta cruzar o arco de meta! E a ansiedade cresce.
Voamos, literalmente, até ao centro de Mafra, com o cão a segurar-se como consegue para não tombar para um lado e para outro nas curvas mais apertadas.
Não devemos ter demorado mais de cinco minutos e quando lá chegamos avisto de imediato a Rita Esteves que, embora não tenha percebido logo, estava acabadinha de chegar.
Estaciono o carro à pressa e desloco-me ao controlo final e pseudo arco de meta.
Não percebi quanto tempo havia passado desde que saíra do ultimo abastecimento e a ansiedade toldava-me o raciocínio.
Peço à Joana que pergunte à senhora que se encontrava no controlo de chegadas se a Sandra Costa já tinha passado. E esta responde à miúda que sim!
Caiu-me tudo ao chão e fiquei super triste. Tinha falhado nos timings e não tinha estado lá para a receber na sua chegada triunfante. Nem eu, nem os miúdos. E começo a pensar em que ela deveria ter ficado também triste e decepcionada por não ter a família à espera no final da sua prova.
Senti-me mesmo frustrado, porque depois de tudo, de todo o esforço dela, nós não tínhamos estado no momento mais importante, porque o é! A chegada é sempre o momento mais intenso e importante e eu sabia-o! E não tínhamos estado presentes... Voltava o mal fadado nó na garganta, mas agora pelos motivos errados.
Começamos à procura da Sandra. Dois dos elementos do grupo do GDCTINCM já estavam no largo sentados à sombra e o Miguel diz que achava que a mãe estava lá com eles, mas afinal não.
Procuramos, procuramos, e nada. Não víamos a mãe em lado nenhum. Mais uns minutos e umas voltas e continuava sem haver sinais da Sandra.
Ainda penso que poderá ter ido tomar banho porque uns momentos antes tinha visto a Mena a deslocar-se para lá, com um saco a tira-colo, mas não poderia ser porque precisaria do seu saco que estava no carro.
Agarro no telefone e ligo-lhe. Toca, toca e ninguém atende. Tento novamente com igual resultado. Passam-se pouco mais de 15 minutos nesta azáfama.
Com o cão pela trela, os miúdos debaixo de olho e máquina fotográfica ao peito rondava a zona de chegada porque achava estranho, por um lado, o tempo estonteante que ela tinha feito e por outro o facto de não a acharmos em lado nenhum.
Enquanto isso e de um momento para o outro, vejo entrarem na recta final, os últimos companheiros do GDCTINCM, que estavam a terminar a meia-maratona e que já tínhamos visto na sua passagem pela praia. E, num daqueles acasos do destino e timing perfeito, vejo logo atrás, a nossa atleta!
Grito para o Miguel e para a Joana que a mãe deles afinal estava a chegar e agarro-me à máquina fotográfica para imortalizar o momento.
Não foram as fotografias que idealizei e pretendia tirar, mas o momento da chegada da Sandra e o encontro dela com os miúdos, com a Joana que se agarrou a mãe tipo lapa, compensou largamente esse facto e retratei o momento como pude.





Afinal tinha terminado tudo bem e o nó na garganta dissipa-se! A Sandra chegou um pouco mais atrás das suas adversárias, mas manteve o seu terceiro posto até final, com garra e determinação!
Eu não podia estar mais orgulhoso dela. Felizmente que tinha a máquina ao peito e que me pude esconder um pouco atrás dela, da máquina, porque só me apetecia gritar em alto e bom som, que aquela mulher de garra e de fibra é a minha companheira!
Faço mais umas fotos ao grupo de amigos que vestem as cores da Imprensa Nacional, com a Sandra no meio deles, de sorriso rasgado como é seu costume, empoeirada de alto a baixo, cansada, feliz e realizada.





E eu não podia deixar de me sentir igualmente felicissimo por ela. Feliz por ela se sentir assim, realizada, orgulhosa e feliz, também ela. Pelo que conseguiu, pelo que trabalhou e pelo prazer que isso lhe deu. Não só no atingir dos seus objectivos como no caminho que percorreu durante aqueles 76kms até os alcançar.

Entretanto, vamos ficando por ali à espera da pseudo cerimónia de pódio! Ele existia, o pódio, pelo que aguardámos que estivessem reunidas todas as atletas para que fossem entregues os respectivos prémios e lembranças. Por esta cerimónia esperavam as atletas femininas da meia-maratona e maratona e sendo que o conjunto das três atletas da distância mais curta estava reunido, seguia faltando a segunda classificada da distância maior.
Esperavam também outros.
Os acompanhantes, amigos e membros da Organização e até o Presidente da Camara.
Os presentes esperaram e desesperaram.
E a segunda classificada nunca apareceu, num total desrespeito pelos presentes, pelas suas adversárias e pelas atletas que todas são.
E desrespeitando também uma organização esforçada e que se dedicou de corpo e alma a esta prova, tendo sido essa entrega notória.
Mas a cerimónia aconteceu na mesma, com fotos e beijinhos de congratulação, com bom ambiente, apesar da seca, e com fotografias para mais tarde recordar.


A Sandra acabou por ter direito a foto no lugar mais alto do pódio por incentivo da Filomena, que mostrou ser verdadeiramente integra de carácter e uma verdadeira atleta, respeitadora dos seus adversários, ao contrário de quem esteve em falta!
A Sandra não cabia nela de contente, de feliz e de realizada.
E eu mal cabia em mim de orgulho nela!
Afinal, ela merecia-o!

Mas no final, já no estacionamento e da mesma forma, as coisas mal cabiam todas dentro do carro novamente! Provavelmente, inchadas de orgulho, também elas!
O dia, comprido e cansativo e ao qual todos sobrevivêramos estava praticamente no fim.
Os miúdos adormecem assim que o motor é posto em marcha. Assim como o Ty, aninhado como pode ao colo destes! Um dia em cheio, repleto de novas sensações e experiências, como os dias verdadeiramente épicos devem ser!
Pela minha parte, uma aventura em que não dei uma única pedalada, mas ao mesmo nível daquelas que exigiram de mim tudo o que tinha para dar.
Foi, sem sombra de dúvida, uma montanha russa de emoções!

Obrigado a todos, sem excepção, que ajudaram a tornar este dia, num dia "épico"!
A todas aquelas "motas" que rasgaram nos trilhos e nos presenciaram excelentes momentos, tornando o nosso dia em algo que valeu a pena viver! Deu gosto ver a malta meter WATTS nos pedais!
E um obrigado especial àqueles que acarinharam a Sandra e de alguma forma a encorajam e a tratam com o respeito, carinho e amizade que ela merece! Sois grandes!

A ti, Sandra Costa, minha companheira, um obrigado por me teres proporcionado mais esta experiência, tendo-se mostrado como uma das mais enriquecedoras que já tive em todos os meus anos de bicicletas de montanha e de maratonas! 
Cada dia que passa tenho mais orgulho em ti e na pessoa que és!
És uma força da Natureza, no verdadeiro sentido da palavra e eu sinto-me verdadeiramente privilegiado por poder fazer parte desta tua viagem.
Obrigado!


Frederico Nunes "Froids"

quarta-feira, 3 de junho de 2015

VIDEO : IX Maratona TABUA

Aqui vos deixo mais um filminho que editei, durante a IX Maratona de Tábua MK-MAKINAS.
Espero que gostem! Eu curti milhões. 



Mais uma vez, companheiros de passeata, obrigado pela companhia!


O vídeo está com alguns problemas de som que eu não consegui resolver, mas ainda assim, espero que se divirtam a vê-lo.


Abraçorros!


Vemo-nos por aí!


Abraçorros

Frederico Nunes "Froids"
@2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

9º BTT MK-MAKINAS, Tábua

Para mim, a aventura de Tábua começou na sexta-feira à noite, quando comecei a desmontar e montar o "novo" sistema de transmissão igual ao que irei levar para a Grande Rota das Aldeias Históricas.
Tudo lindo antes de testar. Na prática ficou uma bosta. E enorme!
Só Sábado às 15h da tarde é que tinha todos os problemas aparentemente resolvidos, mas não cheguei a sentar o rabo em cima do selim e testar tudo com carga. Asneira(!)

Arrancámos de Lisboa às 05h20 da manhã. Eu, a Sandra e o Carlos. Já em Tábua juntámo-nos ao Marco. Os quatro virgenzinhos no que tocava à mítica maratona de Tábua. Todos no entanto, sabíamos mais ao menos ao que íamos. E digo mais ou menos porque a prova superou em tudo as nossas espectativas. Foi simplesmente brutal.

Arrancámos juntos da Box1.
Nem tinhamos pedalado 500m e começo a ouvir um barulho estranho oriundo do meu novo desviador traseiro. Duzentos metros mais e acabo por avisar o Carlos que tenho que parar. O Marco e a Sandra também param e voltam para trás.
Não demoro mais de 2 minutos a corrigir o problema e a asneirada do dia anterior, mas com isso ficámos os quatro a pedalar sozinhos.

Libertou-nos um pouco os trilhos, mas foi a altura em que sofri mais para acompanhar os meus companheiros de aventura.
O Carlos percebeu o meu estado quando algures olha para mim e me vê a suar mais que num banho Turco. Mas lá encontrei o meu ritmo e lá descobri umas artimanhas para me ir safando até final. 
Descobri no Domingo que já não sei pedalar sentado. Já não estou habituado a fazer esse tipo de força. Fiquei a descobrir também que o que não subia sentado em 1x1, subia em pé em 1x3 ou 1x4(!) 
Raios parta a maluqueira. Subia melhor, com menos esforço, mais tracção, mais tudo!

Começámos a apanhar logo singletracks brutais um pouco depois do km20. Todos absulatamente fantásticos. Fluídos, técnicos q.b e mantidos e criados com dedicação. Um verdadeiro luxo quase todos eles.
A boa disposição do nosso grupinho foi sempre nota dominante.
Mas eu não conhecia nem a Sandra, nem o Marco.
A Sandra, disse-me o Carlos uns dias antes, precisava de boleia para Tábua porque tinha inscrição e estava apeada. Passámos nesse instante a ser três.
O Marco era amigo da Sandra e estava já em Tábua à nossa espera.
Revelaram-se companheiros cinco estrelas.
O Marco, bem o Marco nem sei se chegou a suar em alguma das subidas do dia. Apre que o rapaz é forte. E também desce bem. Pessoal mesmo sólido a andar. E a Sandra, ah pois a Sandra... A Sandra fez-me suar as estupinhas para me manter na roda dela durante os primeiros quilómetros da prova e mais não digo.

"Ah e tal, estou em baixo de forma..." - Dizia ela no início.
"Em baixo de forma, ela? Ainda bem, que se estivesse a tope tinha-me morto!" - Disse eu para o Carlos no final, meio a brincar meio a sério!

Mas que companhia excelente! Super divertida, sempre a curtir, mesmo um prazer conhecer! E com um daqueles andamentos "honestos" como a malta gosta. Rolava bem, subia melhor e descia como muito gajo com muito mais anos disto não desce!
O Marco é mais reservado e rolou quase sempre na frente do nosso grupinho. Isto depois do primeiro abastecimento.
Mas até lá e devido a uma paragem, dele e do Carlos, eu e a Sandra acabámos por rolar alguns quilómetros sozinhos e na cabeça do nosso grupo.

A determinada altura a Sandra diz-me, entre uma respiração e outra, que tinha novo objectivo para aquela prova...
Eu não percebi imediatamente o que ela pretendia dizer com aquilo até porque o objectivo comum previamente definido entre todos era única e exclusivamente "córtir os trilhos" da 9ª Maratona de Tábua.
Mas a nossa companheira de passeata já tinha avistado uma outra betetista, uns metros mais à frente, trajando equipamento do Benfica... 
A Sandra é do Sporting!

Ultrapassa-a sem cerimónias e pisa forte no pedal.
O novo objectivo da Sandra passou de imediato a ser terminar à frente da Gaja do Benfica. O principal mantinha-se, claro!
Quando chegámos ao primeiro abastecimento ainda estivemos uns minutos à espera do Carlos e do Marco. Os suficientes para a Sandra ainda me deitar esta frase:

"Ou nós estamos muita fortes ou eles estão muita fraquinhos!"

Eu nem sabia bem o que pensar naquela altura...
Sinceramente, quando ali parámos eu já tinha encontrado novamente um ritmo tranquilo e vinha bem, mas a miúda trazia mesmo o diabo no corpo. Passámos por malta a subir com uma bolina como há muito que não me acontecia. Muita bom! E à medida que o tempo e os quilómetros iam passando, eu ia redescobrindo o prazer que também existe em andar com sistemas de mudanças. Mesmo com uma K7 gasta e a saltar como eu trazia a minha...

Neste primeiro abastecimento havia de tudo, inclusive um rancho folclórico com pessoal trajado a rigor e vinhaça para acompanhar as febras e entremeadas que estalavam no grelhador.
Mas no meio daquela azáfama toda e ainda antes dos nossos amigos, havia de chegar a Gaja do Benfica.
E acabou por arrancar ainda eles não tinham acabado de dar o primeiro golo no copo de tinto.
Percebi que a Sandra mantinha a dela fisgada e quando arrancámos deste abastecimento sabia, nem sei bem porquê, que ela não haveria de descansar enquanto não voltasse a ultrapassar a outra moça. Sem conhecer bem a Sandra, fiquei com a ideia que ela não iria desistir assim tão facilmente.
Tal acabou rapidamente por acontecer.
Quando a ultrapassámos novamente meti-me com ela e disse-lhe: Então, mais contente?!
Ao que ela me responde algo do género: "Só quero ficar à frente dela. Só quero ficar à frente da Gaja do Benfica"...

Foi quando percebi que era mesmo corrida que iríamos ter!
Até porque a determinada altura, vislumbro a roda dela a chegar-se à roda da Sandra. Ambos percebemos às claras que a Gaja do Benfica não ia dar aquela vitória à Sandra de mão beijada. Iria haver luta. Ela picou-se quase de certeza, deve-nos ter ouvido ou assim. Mas nunca nos ultrapassou, esperta!

No abastecimento seguinte estavam já parados o Carlos e o Marco na palhaçada com a malta da organização.
Nós paramos também. A adversária directa da Sandra não. E esta estratégia fez com que demorássemos imenso tempo a reencontrá-la.

Durante esse intervalo na "corrida", fomos apreciando os trilhos, as paisagens, o pessoal da organização em todos os muitos pontos de água e abastecimentos que tivemos, toda a envolvência com a população e acompanhantes dos atletas, que é qualquer coisa de incomparável. Toda a prova e magnitude da "coisa" é magistral.
Mas os trilhos, os trilhos é que são qualquer coisa do outro mundo! Já me repeti? Não faz mal, poderia repetir-me a noite toda que não lhes faria a devida justiça. Um grande trabalho que é visita obrigatória na carreira de qualquer betetista que se preze, sem sombra para dúvidas.

Toda a nossa participação foi pautada pela descontração e boa onda. Esta última chegou mesmo a acontecer enquanto estivemos parados num dos trilhos mais emblemáticos e onde estava concentrado um elevado número de pessoas a assistir à prova, envoltas num cenário idílico.
A páginas tantas dou com a Sandra a puxar pela malta e acaba mesmo por conseguir fazer a "onda" com muita daquela gente. Foi fixe de assistir e vivenciar e serve para perceberem o espirito com que íamos a levar a "cenaça".
Nesta altura deduzo que o modo "RACE" ia em lume brando na cabecinha da Sandra. Os trilhos que se iam mostrando à nossa frente eram absolutamente alucinantes e dignos de total entrega. Quer pela sua beleza, quer pela sua tecnicidade. E ainda por cima tivemos a sorte de poder fazer alguns deles livres de grandes paragens e assim apreciá-los completamente. Um luxo!

O Carlos e o Marco rolavam ora connosco ora uns metros à nossa frente, sempre mais fortes que eu e a Sandra. Mas formámos um grupinho muito coeso e mantivemos um ritmo relativamente bom durante todo o percurso. Ritmo de passeio "rápido", como disse a Sandra.
Basicamente, eu nem tive direito a cigui, por mais vontade que tivesse. Se parasse, perdia o combóio! E não iria fazer o combóio esperar por causa deste meu vício estúpido.

Chegamos a mais um abastecimento. E neste abastecimento ficamos a saber, entre meia banana e mais um quarto de laranja, que a Gaja do Benfica seguia um minuto ou dois à nossa frente, junto com o restante grupo do pessoal da Casa do Benfica de Almada do qual fazia parte.

A Sandra arranca disparada ainda eu nao tinha comido a laranja toda!

"Vou andando! Vocês já me apanham!" - Larga para o ar, sem olhar para trás, enquanto se lança a fullpower aos trilhos, de alento completamente renovado.

RACE Mode back on!

Jogo a embalagem do gel vazio para o lixo e agarro na bike. Seguimos os três a todo o gás até apanharmos novamente a Sandra, um quilómetro ou dois mais à frente. O Carlos e o Marco passam-na na bolina, numa subida com alguma areia e que me obriga a desmontar devido a erros de trajectória, falta de tracção e de prática no manejo das mudanças. Tudo junto e este artista acaba a meter o pé no chão e desmontar antes de terminar a rampa que tinha pela frente. 
Apear com estes meninos é sinónimo de muitos metros de distância que se ganham quase de forma instantanea.
Não me consegui montar logo e sou obrigado a terminar a rampa a penantes. Quando lhe ganho o topo já não vislumbro os meus companheiros. Sozinho quebrei um bocadinho o meu ritmo e custou-me voltar a embalar.
Só fui espevitar novamente um quilómetro ou dois mais à frente quando me chego à roda da Gaja do Benfica. Pelo ritmo lento e quebrado que trazia ainda pensei que não fosse a mesma rapariga, mas quando me cedeu passagem, percebi que sim.
E percebi também que a Sandra e o resto do pessoal também já teriam passado por ela. E acordei novamente para a vida!
Sabia que ela, a Sandra, não iria agora dar descanso e não se iria deixar apanhar novamente, pelo que, seu eu pretendia chegar novamente à roda dela, teria que me aplicar e andar mais do que ela estava a andar, como mínimo.
Mas sozinho essa tarefa revelou-se mais complicada de fazer do que de pensar. As subidas tinham dureza e algumas também tinham técnica à mistura e muitas delas pouca tracção. Em grupo minimizam-se os esforços. Sozinho, tudo parece mais inclinado, maior, interminável...

Mas acabei por avistar a Sandra, sozinha, a uns escassos metros de mais um abastecimento. Fiquei depois a saber que iriam esperar ali por mim.
Gostei do gesto, e fiquei sentido, mas não comentei. Que bom grupo que se juntou. Tudo pessoal com valores que eu aprecio muito. Fiquei mesmo contente. O espirito do nosso grupinho continuava em altas! Sempre bem dispostos, a rir e a desfrutar de tudo o que havia para desfrutar.


Felizmente não os fiz esperar quase nadinha e apesar de naquela altura estar mais cansado do que seria normal, tinha conseguido ganhar-lhes algum terreno e isso deu-me alento novamente. Aliado ao que comentei acima, apesar de já sentir nas pernas algum cansaço, fiquei com a moral renovada.
Mais umas águas para dentro, umas águas para fora e fazemo-nos novamente ao caminho!

Daqui para a frente faltava pouco, cerca de 15kms sensivelmente. Mas que não foram completamente fáceis. Algumas pistas boas a descer e a subir, mas essêncialmente caminhos exigentes, todos eles, de uma forma ou de outra. Só mesmo para o final se rolou um bocadinho de forma mais solta.
O resto foi "serrote", sempre.

Começamos a dobrar companheiros mais atrasados, provenientes da meia maratona e a determinada altura, avistamos dois rapazes parados, cada qual de seu lado de um singletrack já por si estreito, após uma zona algo complicada.
Vinham desmontados porque o trilho era demasiado técnico para eles. 
A Sandra faz tudo bem, mas quando chega à beira dos rapazes, desequilibra-se e dá um toque num deles que, desamparado, cai estatelado no buraco que havia atrás dele.
Mas caiu de uma forma absolutamente genial.
Ao toque da Sandra, e ao perceber que já tinha perdido o equilíbrio e que já nada podia fazer para impedir a queda, abre muito os olhinhos e a boca, tem ali um segundo ou dois de espanto e depois cameça a rir enquanto cai, quase em camara lenta. Mas rir a bom rir!
O rapaz estava exausto e caiu também em parte devido ao cansaço.
Mas a cena foi simplesmente hilariante. Ele caiu em cima de um tapete de folhas como se tivesse caido numa cama, mas ficou de pés para cima e cabeça para baixo. E no meio das pernas, a bicicleta.
E ele ria! O amigo dele também.
Ajudei-o a sair dali enquanto a Sandra se desfazia em desculpas! Mas os rapazes mantinham uma onda brutal! Grande moral... O que ficou a conhecer a Sandra em primeira mão, em momento algum ficou chateado ou levou a mal. Só se ria.
E no final ainda nos disse: "Bem, uma estava guardada!" (Referia-se a quedas enquanto continuava de sorriso na cara!)

Os quilómetros finais foram feitos mesmo em grupinho, juntinhos, tipo Quarteto Fantástico! E foi assim que cruzámos o arco de meta no final desta aventura, porque nem poderia ter sido de qualquer outra forma.
O dia foi brutal, amanhecendo algo fresco para ir aquecendo durante o dia, proporcionando um bom dia para pedalar. As paisagens e os trilhos foram espectaculares e dignos de registo por si só, a organização esteve bem em todos os aspectos. Tudo esteve muito bom, mesmo excelente.

Mas, para mim e de forma inquestionável, o melhor do dia foi mesmo a companhia!
Obrigado por aturarem este magrela e por me deixarem rolar com vocês! Foi, é e será sempre, um privilégio!

Para aquele pessoal que ler esta crónica e não conhece e que de alguma forma pondera participar nesta maratona, nem pensem em ir com outro espirito que não seja o de "Córtir os Trilhos". Tudo vale a pena e merece ser apreciado sem grandes pressas. Vão e desfrutem! É só isso que tenho para vos dizer. Certamente que não se irão arrepender.
No entanto, alguma preparação física é recomendável, porque aos ~1500m D+ de subidas terão que acrescentar a dureza das descidas o que perfaz desta uma prova com alguma exigência física e técnica. Mas que se recomenda vivamente, e que vale cada gota de suor que se deixe naqueles trilhos.

Em resumo, um dia a par com alguns dos melhores dias que já passei a pedalar durante os meus 15 anos de bicicletas.
E certamente e sem cerimónias, um dos mais divertidos!

O track do percurso irá para a pasta "Tracks GPS" assim que possível.
O vídeo da aventura está em processo de edição. Conto tê-lo pronto até Quinta-feira, o mais tardar.

Há por essa internet fora várias fotos nossas. Á medida que as for encontrando ou mas forem cedendo e mostrando, vou actualizando esta posta com algumas que valham a pena!


Nota de rodapé: 

Se a Gaja do Benfica por ventura ler estas linhas, que não leve a mal o facto de ser tratada por "Gaja". O termo é carinhoso e de forma nenhuma pretende ser diminutivo ou depreciativo... Até porque o andamento que impôs durante bastantes quilómetros me merece todo o respeito!
Portanto, uma saudação valente à companheira betetista que veste as cores da Casa do Benfica de Almada e que se não estou em erro tem de graça o nome Tânia. Haja mulheres de fibra no meio de tanto homem! É um prazer pedalar com vocês...


Vemo-nos por aí.

Abraçorros
Frederico Nunes "Froids"
@2015