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domingo, 15 de julho de 2012

IV Travessia BTT "Conquista 3 Castelos"

A IVª edição da travessia em BTT "Conquista 3 Castelos", organizada pelos companheiros da Anibikes, teve lugar no passado sábado, dia 14.

Este foi um passeio (des)orgamizado, em autonomia e guiado por GPS, que contou com a participação de quase uma centena de participantes.
Á chamada já sabia que compareceriam os meus amigos Castanholas e Carlos, mas foi uma agradável surpresa ver o Tuca juntar-se à malta com o seu característico sorriso rasgado! Entre estes ilustres outras caras conhecidas como o Luís, o Celso e o Caixeiro ou o Fernando Faneco, que vinha a fazer "pareja" com o Carlos, marcavam presença na esplanada. Juntos com a restante malta enchiam o pequeno espaço, e no interior, a loja assim como a pastelaria que ia servindo as últimas doses de cafeína ao pessoal.

À porta da Anibikes durante o aniversário de um companheiro e momentos antes do arranque para um memorável dia...
O passeio começou após cumprido o ritual de aniversário de um dos elementos, com direito a bolo e tudo, após a distribuição de umas fitinhas azuis para identificação da malta do passeio e um ligeiro brefing.

Pela nossa parte, arrancámos com um ritmo vivo e de espirito alegre e bem disposto, e foi num ápice que conquistámos a primeira fortificação do dia, o Forte de São Filipe de Setúbal, também conhecido como Castelo de São Filipe, concluído algures durante o reinado de D. Pedro I.
A conquista só teve um sabor a vitória após concluída uma subida em calçada romana bastante exigente e que obrigou todos os conquistadores a aplicarem-se a fundo nos pedais para manterem domados os seus cavalos. Dava-se início às hostilidades!

No Castelo de São Filipe, a primeira fortificação do dia a ser conquistada...

Dentro das ameias do Castelo, junto á Pousada...
Seguimos caminho por trilhos já meus conhecidos e num instantinho estavamos de passagem pelo parque de merendas da Comenda.
Começamos novamente a subir com a vantagem de voltarem as vistas fabulosas sobre a luminosa península de Tróia com aquele mar de cor azul turqueza em fulguroso contraste com a fina areia branca.
Os trilhos de terra muito vermelha envoltos numa vegetação de mil e uma cores levam-nos até à primeira paragem para reabastecimento do dia, no café em Casais da Serra.

O companheiro Celso a desfrutar das maravilhosas vistas...

Na primeira paragem do dia para reabastecimento em Casais da Serra, ou ZA3 (lol)...
Até Casais da Serra o nosso grupinho de ataque era constituído por cinco companheiros: Castanheira, Tuca, Luis, Celso e eu, mas desde este ponto que o nosso grupo aumentou e diminuiu ao longo do percurso. Ainda antes de chegarmos às pedreiras de Sesimbra já tinhamos a companhia do Faneco e do Carlos e do "Sr. Luis". Este último foi uma constante durante grande parte do passeio, ora aqui ora ali.
Já bem dentro do Parque Natural da Arrábida, iamos gosando de trilhos espectaculares, e pese embora o facto de os conhecer a todos, a beleza destes faz com que nunca me canse de os visitar.
A juntar a estes fantásticos trilhos esteve um dia ideal para pedalar. Um céu limpo como cristal e uma temperatura amenizada por uma leve brisa tornaram este dia de monumental empeno num verdadeiro prazer.

Tuca à espera do restante pessoal...
Os caminhos punham o pessoal cada vez mais à prova! Por trilhos a exigir alguma técnica, tão característicos desta zona, fomos ganhando quilómetros de subida até culminar no topo da pedreira de Sesimbra, que ascendemos pela dura e longa rampa batizada com o mesmo nome!

O "Sr. Luis" a atacar mais uma subida...

Carlos a vencer esta curta mas técnica secção de subida. O Faneco seguia mais atrás...

Fernando "Faneco" em altíssima rotação...
A subida da Pedreira é um desafio por si só! Terrivelmente longa, termina numa última rampa com um pequeno "ombro" a poucos metros do final, que tem por costume levar de vencidos muitos domingueiros mal treinados, como é o caso aqui deste vosso amigo.

Para ilustrar, deixo-vos com uma sequência de fotos do Luís na sua batalha contra "o monstro".

Luis Gonçalves VS Subida da Pedreira - Take 1...

Luis Gonçalves VS Subida da Pedreira - Take 2...

Luis Gonçalves VS Subida da Pedreira - Take 3
Afinal, para subir a infame Subida da Pedreira, só é preciso comer alpista =)
Após concluída esta dura subida, ficamos uns minutos a apreciar as vistas, à beira da falésia, largas centenas de metros pendurada acima daquele mar azul intenso e hipnotizante.
Começamos a grande descida que nos leva até ao centro da vila de Sesimbra e à praia. As vistas perdem a magnitude das alturas mas não deixam de ser sempre interessantes (!).
A passagem pela "marginal" de Sesimbra foi óbviamente aproveitada para um almoço ligeiro e assim reconfortar a barriga com alguma comida quente. Hamburguers para todos, acompanhados de umas coca-colas e umas cervejas.
O Luís continuava a comer da alpista que levava. Ele lá continuava a dizer que aquilo não era mesmo comida de passáro, mas lá que parecia, parecia!


A começar a descer para Sesimbra e em direcção á praia...

Hora de almoço num dos muitos cafés da principal avenida sesimbrense...
Para depois de almoço e para completar a segunda parte deste nosso passeio, estavam reservadas as duas últimas conquistas do dia. O Castelo de Sesimbra e o Castelo de Palmela, este último já a escassos quilómetros do final.
A par destas, muitas subidas, algumas delas bem longas e dolorosas, fizeram também parte da ementa da tarde.

Castanheira "a pernas" com a subida que sai do Porto d' Abrigo de Sesimbra...

Sesimbra ia ficando cada vez mais pequenina, encaixada naquela bela enseada...

A subida que sai do Porto de Abrigo, em Sesimbra, marcou o ínicio das hostilidades. Um par de quilómetros através de uma pista de gravilha empoeirada, bastante inclinada numa zona ou outra, demoraram uma eternindade a terminar.

Mas nenhuma subida é interminável e esta não foi excepção. Ainda assim, vimo-nos a determinada altura a ponderar seguir por estrada até ao Castelo de Sesimbra, mas lá nos convencemos mútuamente a seguir o track proposto. Isso obrigou-nos a perder algumas dezenas de metros de desnível rapidamente para subir novamente "à bruta" na encosta oposta do vale que cruzávamos.

Mais uns metros em asfalto e entrámos nas muralhas vitoriosos, mas já cansados, para abraçar a segunda conquista do dia.
Já lá estavam a descansar outros companheiros que também estavam connosco na aventura. Aproveitamos a paragem para um descanso e umas paródias. O espírito da malta estava em alta, como é costume!

Chegados à entrada do Castelo de Sesimbra e altura de descansar um pouco...

Castelo de Sesimbra conquistado!
Quando arrancamos novamente, o grupo era constituído por mim, pelo Castanheira e Tuca, o Luis, o Carlos e o Fernando Faneco e mais dois ou três companheiros que não fixei os nomes. Um grupo grandito, portanto, mas facilitou a tarefa e ajudou a cumprir alguns quilómetros.

Apesar disso o grupo era composto por pessoal com andamentos muito diferentes, o que fez com que houvesse algumas paragens para descanso e reagrupar o grupo.
Pela minha parte, agradeci cada paragem que se fez. Já há largos quilómetros me vinha a debater com caímbras. No final do passeio e só como nota de rodapé, tive caímbras em músculos que não sabia existirem.

A rolar...

Castanholas "in action" a guiar a malta...


Durante uma pausa para reagrupar....
A determinada altura e numa subida (para variar), aconteceu um furo na roda dianteira do meu amigo Castanholas. Assim, de repente, disse ele e foi verdade que eu vi, pois vinha na roda dele.
A subir devagar e em óptimo piso achámos estranho um furo assim tão violento.
Após analisada a "cenaça" verificou-se que o pipo da câmara se encontrava rasgado.

Este pequeno incidente foi prontamente resolvido e em menos de nada estavamos de novo prontos a rolar.
Por esta altura, a alpista do Luís já tinha acabado (!)

O único furo do dia. A "fava" a calhar ao Castanheira...
Após a paragem forçada devido ao furo do Castanholas, o grupo partiu-se bastante. Por esta razão e a determinada altura, encontro-me apenas com o Castanheira e foi a par com o meu amigo que percorri o caminho dos moinhos até chegar ao largo da rodoviária em palmela.
A paisagem desde este ponto é absolutamente fantástica. A vista soberba sobre o último objectivo do dia, a conquista final, alimentava-me os castigados músculos, dando-me nova energia.
O mesmo pareceia ter acontecido com o meu amigo, que pedalava agora mais forte e entusiasmado.
Pairava já no ar o cheiro a vitória final!

Hugo Castanheira no caminho do moínhos, já com o Castelo de Palmela bem à vista...

Castelo de Palmela imponente, visto desde o caminho dos moínhos...
Na fonte do largo já nos esperava o Tuca e mais uns companheiros.
Estavam com as pernas de molho enfiados dentro da fonte. Em menos de nada, segui-lhes o mote e meti-me também dentro daquela fresca banheira gigante.
A água fria nas minhas pernas foi tão revigorante como já havia sido uns quilómetros mais atrás após o Cai de Costas, numa fonte ali perto.

A refrescar as pernas na fonte do largo da rodoviária em Palmela...

Com as pernas "de molho" em Palmela...
A subida final de ataque ao Castelo de Palmela foi a cereja no topo do bolo para o Homem da Marreta me atacar com toda a sua pujança!
Teimoso, e caímbra após caímbra, levei a minha montada até vencer a última e derradeira batalha.
Minutos depois, tiramos a conclusiva foto. O Tuca não se juntou a nós nesta última imagem porque seguiu a todo vapor direito a compromissos familiares.

A última conquista do dia, o Castelo de Palmela. Eu e o Castanheira acompanhados pelo Luis e pelo Fernando...

A deixar o lugar da última conquista do dia...
A  descida para Setúbal estava destinada a ser iniciada pela conhecida "Gibóia", e assim aconteceu. Mas não sem antes haver ainda tempo para uma "pequena" troca de palavras menos amistosas entre aqui o vosso cronista e uma senhora que teimava em não nos deixar passar, porque segundo a própria, iri haver um espectáculo de artistas de rua e a rua estava fechada ao passo, a quem quer fosse.

Lamento a minha exaltação e peço aqui, publicamente, desculpas aos presentes, mas o cansaço já falava muito alto e acabei por me exceder um "bocadinho". Enfim, lá acabámos por contornar a situação através de um corta-mato pelo jardim, para sair mesmo no meio dos elementos do espectáculo.
Pedimos licença e passámos sem qualquer problema, mas causámos muito mais alarido do que se a senhora nos tivesse deixado passar aqueles cinquenta metros, coisa que demoraria uma eternidade com certeza (!).

Descendo a Gibóia durante os últimos quilómetros, já a caminho de Setúbal....

Após este precalço e já durante a ziguezagueante descida, fiquei a conhecer mais um pequeno trilho, uma variante assim podemos chamar, bem divertido.
Mais um par de quilómetros e estavamos de novo junto à Anibikes. As despedidas da praxe e todos rumaram a casa, felizes, satisfeitos e de barriguinha cheia de btt do melhor, por trilhos que podemos facilmente incluir no lote  dos melhores do País...

Para concluir e apesar da dureza de todo o trajecto, lá estarei na próxima edição, se a houver e se me convidarem!
Foi um luxo!

Os dados do empeno, e só por curiosidade, foram os seguintes:
Distância: 93kms
Desnível acumulado subidas (D+): 2340m
Tempo em movimento: muitas horas (!)
Tempo total: ainda mais horas (!!)

A galeria de fotos pode ser vista aqui: IVª Conquista 3 Castelos
O track gps do passeio pode ser descarregado a partir da página "Tracks GPS"

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Arrábida75

Arrábia75

Já há uns dias que me andava a apetecer uma daquelas voltinhas que nos deixam a transbordar de satisfação, seja pela sua localização, dificuldade ou o que for. Apetecia-me uma daquelas passeatas que nos deixam ligeiramente empenados no final mas com um agradável sabor de boca, a alma cheia de boas sensações e os músculos doridos nos dias que se seguem.
Procurei na pasta dos Projectos, aquela onde moram os tracks GPS que pretendo algum dia completar, - há lá de tudo e para todos os gostos, trilhos e caminhos desde norte a sul de Portugal, incluindo outros fora fronteiras – procurando por algum que reunisse as condições para satisfazer as minhas necessidades.

Essa pastinha guardava preciosamente um track do Leonix (companheiro do ForumBTT), apregoando 75 quilómetros pelos melhores trilhos e single-tracks que a belíssima serra da Arrábida tem para oferecer. Entre este e o “S3K” da autoria dos PedraAmarela pendiam os pratos da balança. Mas como Sintra conheço bem, a Arrábida levou a melhor sobre a escolha. E embora com um acumulado mais humilde e de menor quilometragem não deverá certamente ficar a dever muito, em dureza e tecnicidade, ao track desenhado pelo grupo sintrense.

Eram 10h30 quando comecei a pedalar, já tarde é óbvio, saindo desde o largo da rodoviária de Palmela direito ao Single do Castelo que começava lá mais em cima, seguindo através de um bonito jardim para lá chegar. A subida para chegar de novo à vila haveria de ser feita pela subida de calçada romana, contornando toda a encosta sul do castelo.
Tinham início as hostilidades...


Local de inicio...

Single-track do Castelo...

Encosta sul do castelo de Palmela a subir pela calçada romana.

Sigo depois pelo Caminho dos Moinhos na direcção da serra do Louro.
O tempo estava porreiro. Soprava de norte um vento forte, mas que trazia consigo uma frescura que amainava o dia quente que se fazia sentir. Felizmente, o dia manteve sempre estas condições tendo-se mostrado realmente favorável, inclusive com algum vento pelas costas em algumas circunstâncias providenciais. Claro, e de frente noutras!


No Caminho dos Moinhos...

Umas antigas ruinas...

Faço a primeira paragem depois da subida Zig-Zag para comer e fazer outra coisa que me vinha a apetecer já há um bocado. Uma mija valente!
Passo pelo Moinho do Cuco e por mais um moinho, este, embora bastante degradado, ainda mantém a sua construção de pedra original. Passo ainda pelo Fim do Mundo e desço até cruzar a estrada nacional.
Adiante encontro a subida que dá pelo nome de Up Azeitão e acabo por entrar num single muito divertido com umas enormes lajes de calcário e umas zonas bastante técnicas e apelativas. Até Oleiros foi um tirinho. Aí tinha possibilidade de reabastecer de água que acabei por não fazer. Esperava almoçar na Comenda e lá haveria nova hipótese de conseguir o precioso líquido.


A chegar ao Moinho do Cuco...

Construção ainda original...

Subida Up Azeitão...

Um trilho bastante divertido antes de Oleiros...

De passagem por Oleiros...

Depois da povoação de Oleiros haveria de conhecer o tão famoso trilho da Falésia. Um single que percorre uma pequena falésia calcária com pouco mais que 300 metros de extensão. Uma pérola. Sem dificuldades de maior a não ser a sua exposição é realmente uma pequena delicia.
Mais à frente acabo por sofrer uma pequena queda, numa zona que já conhecia. Uma escorregadela e num ápice estava a deslizar descida abaixo, lateralmente, resvalando pelo chão uns metros. Ainda parvo, olho para cima e falho em perceber o que me fez cair. Enfim, azelhice ou distracção, o que é facto é que estava no chão. Sacudo-me e enquanto levanto a bike procuro os danos da minha escorregadela. Não encontro nenhum.


Vistas desde as imediações do Trilho da Falésia...

Trilho da Falésia...

Trilho da Falésia...

O Carrossel surge depois de uma curva. Terrivelmente vincado no início por uns sulcos enormes e muito fundos, acabou por ser um pedaço de caminho bastante divertido. Um verdadeiro carrossel de sobe e desce. Um ondulante rompe pernas que me transporta, intervalado com mais uns quilómetros de caminhos, até ao Velho das Saias. Um caminho formado por um túnel de vegetação, não desprovido de zonas técnicas com passagens de pedras com curvas apertadas e sinuosas, sempre resguardado à sombrinha, sempre a descer. Bem, quase sempre.
No inicio da subida de empedrado que o track marcava como Morena, ou Categoria, – fiquei na duvida – pensei que seria sempre a dar-lhe pois o bom piso assim o apregoava. Mentira, acabo por apear logo depois da primeira curva para deixar os pulmões restabelecerem o seu ritmo normal, debaixo de uma sombra do caminho. Volto a montar, mas volto a parar novamente no topo da dura rampa. Encostei-me, literalmente, a um pinheiro e aí descansei o suficiente para que os pulmões não saltassem cá para fora - tenho que deixar mesmo de fumar. - Mas como sempre, uma subida antecede sempre uma descida, que deu novamente pouco espaço para descansos


Trilho Carrossel...

Velho das Saias...

No inicio da Morena...

O Single do Outão, aparece do outro lado da estrada, reconheci-o de outras andanças. Mas hoje custou-me mais do que nas anteriores passeatas. Fi-lo devagar, devagarinho, sem pressas. Este pequeno trilho, apesar de fácil tem umas zonas muito belas e mantém uma vista avassaladora uma vez chegado ao fim da primeira secção.
A fome já apertava e já só me lembrava da sandocha de presunto e queijo da serra – da Estrela, claro – que trazia na mochila. Já tinha comido os pêssegos que trazia, já tinha comido algumas barritas e especialmente já tinha bebido 3 litros de água. O meio litro do cantil, - com o sumo do Hulk – já havia ido e dentro do camelbak restavam somente umas goladas. Começava a tornar-se urgente chegar ao parque de merendas da Comenda.
Sentindo o camelbak vazio nas costas, continuei a pedalar, não tinha outra escolha, mas sabia que ainda teria pela frente uma subida com um nome pouco promissor. A subida das 3 Etapas. E que **** subida. Dura e longa, terrivelmente empinada e técnica nalgumas zonas. Eu desmontei assim que lhe percebi a cor. As forças iam-se esgotando e achei por bem facilitar um pouco a coisa e ir empurrando a bike monte acima. Foi duríssima na mesma. Não faço ideia da inclinação daquela 2ª etapa mas era da família das denominadas na gíria por “paredes”. Eu arriscaria ser mesmo um parente muito chegado! Facilmente acima dos 15%, garantido.


Single do Outão...

Single Maravilha...

Uma outra zona do Single Maravilha...

No principio da subida das 3 Etapas...

Mas tudo tem o seu tempo e o das 3 Etapas havia culminado. Encontrava-me agora numa zona com vistas privilegiadas sobre Tróia, Setúbal e sobre o estuário do Sado... Via inclusive os verdes ferrys que fazem a travessia Setúbal-Tróia, tão pequeninos vistos daqui de cima que parecem de brincar. O caminho é uma pista de terra vermelha rapidíssima que através de uma suave ondular pela cumeada me leva à tão ansiada área de lazer e de merendas. Mais uma curta descida e chego à Comenda!
Enchi o bandulho com o que trazia de casa. Comprei duas garrafas de água de 1,5 Litros e uma torta – que apesar de aparentar ter mais de 15 dias, tinha açúcar e serviria como sobremesa. Comprei mais um sumo, depois de ter pedido uma Coca-cola e me ter sido dito que: “Infelizmente, não temos.”
Sentei-me numa das mesas que ocupam o espaço. A paragem demorou pouco mais de uma hora. Antes de zarpar comprei mais uma pequena garrafa de 0,5L para preparar nova dose de bebida energética e depois de fumado o cigarro da praxe pus-me finalmente a caminho.


Caminho rapidissimo com optimas vistas...

Sempre a rolar...

A peninsula de Tróia...

Comenda...
Até tem uma pequena praia. Não fui a banhos pelo adiantado da hora. Bem que apetecia...

Os trilhos perdem-se mais ou menos à cota, permitindo um rolar solto e rápido. Caminhos que já conhecia levam a outros que fico a conhecer, num imenso corrupio de sensações. Passo por um género de portal feito em toros de madeira, um género de portal de entrada e saída para um mundo distante, antigo. Escondido dos olhos do mundo pela densa vegetação que o envolve. Mais à frente uma avenida de Palmeiras. Depois disto, uma longa e empinada subida que me levou até à Calçada Romana. Uma calçada romana muitíssimo bem conservada. A superfície pedregosa e compacta fez o meu corpo vibrar por todos os lados. A suspensão – a da frente e a traseira – no seu curso máximo fazia o que podia por me manter confortável, mas nada houve que provasse esse facto. Todos os músculos me berravam aos ouvidos. As pernas, os braços, os pulsos, as costas. Todas as articulações e tendões do meu corpo gritavam de dor.
Quando cheguei ao local de Casal das Figueiras nem queria acreditar. Estava ainda inteiro, embora momentos antes todo o meu corpo aparentava ir-se desintegrar a qualquer instante. Abençoada subida da Tartaruga. Longa e empinada em alguma zonas, mas de piso suave e macio permitiu concentrar-me novamente e ir libertando a tensão que a descida anterior provocara. No entanto, as pernas acusavam já verdadeiro cansaço e foi sem cerimónias que parei e descansei, enquanto bebia mais uns valentes golos daquele sumo verde que trazia no cantil dentro da mochila. A água essa, desaparecia à velocidade de enormes golos de cada vez que mordia a torneirinha de borracha.


Trilhos rápidos, ondulantes e frescos...

Uma estrutura curiosa no final de um trilho...

A tal “avenida” de Palmeiras...

Mais uma subida dura de roer...

Já na Calçada Romana. Aqui ainda um prazer...

A descida final da mesma Calçada. Aqui já um verdadeiro tormento...

A certa altura, o track vira à esquerda e leva-me até à Capela de S. Luís. Numa altura propícia, diga-se. Belo o trilho, - outrora single-track, aposto – que me transportaria à capela. Uma zona mais plana e depois uma valente descida que termina num labirinto de sulcos com mais de meio metro de profundidade. Sozinho, opto pela segurança e desço a primeira parte a pé, fazendo a restante montado na bike, mas com ela dentro de um dos regos, empurrando e mantendo o equilíbrio com os pés, enquanto afrouxava a pressão nas manetes dos travões.
Contorno a capela na sua totalidade e tiro umas fotos. Puxo de uma barra que devoro enquanto procuro o melhor ângulo para mais um retrato. Daqui até à subida das 2 Cerejas foi um tirinho. Antes ainda surge o Single do Tanque à esquerda e só depois de mais uns trilhos, enfrento a dura subidazinha. Longa e empinada, foi uma das mais violentas de todo o percurso. Talvez tenha completado ¼ dela apeado.


Descida para a capela de S. Luis...

Na capela de S. Luis...

Mais uma foto enquanto engulo mais uma barrita...

Todo o corpo começava a apresentar desgaste e a coordenação via-se afectada com isso. O trilho Raízes, embora bastante divertido e técnico foi palco de alguns sustos, mas nenhum com consequências. Em determinadas alturas é preferível ser adepto incondicional da gravidade e passar “depressa”, mas eu gosto de descer devagar, apreciar a dificuldade do obstáculo, medir-me com ele. Mas com o cansaço chegam dificuldades acrescidas. O equilíbrio já não é o mesmo, o corpo já não reage tão rápido como se gostaria, os instintos são abafados pelas dores no corpo.
Por isso me sabe tão bem quando chego novamente ao piso liso e macio da pista de gravilha que me leva até ao início do trilho da ½ Encosta, também conhecido como Fio Dental. Claro que antes ainda tive que trepar mais uma subida valente, mas anestesiado como vinha, pouco ou nada acrescentou às mazelas que já trazia.
Antes de me meter ao caminho pelo trilho que se abria à minha frente volto a comer e a beber uns golos do cantil. O single-track que corre a meia encosta acaba na estrada dos Barris, a qual sigo até ao desvio que me levaria à Quinta da Escudeira e à subida que ostenta o seu nome. Devo admitir que nesta altura pensei em rumar ao carro, de tão perto que estava, mas controlei-me e segui o plano inicial.


Mais um single-track...

Altura em que andei um pouco perdido. O GPS “congelou”...

Trilho da ½ Encosta, ou Fio Dental...

A subida da Escudeira surgiu inevitável, assim como eu senti necessidade de apear. Inevitável! Demorou, mas recomposto lá acabo por concluir a penúltima subida do dia. Atinjo a cumeada e nela sigo por estrada asfaltada até ao seu final, descendo pelo trilho marcado no mapa como Downhill – ou pelo menos muito perto deste. O que sei é que a descida foi muito boa, mas muito lenta e demolidora para o que restava das minhas massacradas costas. – Hoje vinham a moer-me particularmente mais que o costume.
Restava apenas a infame Cobra. Uma pista branca de gravilha e poeira. Longa, mas relativamente suave. Fi-la sem pressas. O sol brilhava já baixo no horizonte. Já passava das 19horas e os dourados raios de sol formavam uma cortina amarelada quando atravessavam o pó que pairava no ar, levantado pelos carros e motos que comigo se cruzaram.


No inicio do caminho que levava à Quinta da Escudeira...

Castelo de Palmela de novo à vista...

Nos trilhos do Downhill que acabaram com o que restava das minhas costas...

Depois de superada a Cobra, já no asfalto da vila...

Tinha pó em todo o lado. Os meus pneus eram totalmente brancos. A bike preta vinha de cor cinza-claro. Os meus dentes estavam cobertos por uma granulada camada de qualquer coisa. Quando pisei novamente o alcatrão e desci para o local onde estava estacionado o meu carro percebi o meu estado. Ao passar por uma montra qualquer vejo o meu reflexo. Uma cena fininha, magricela, com um terrível aspecto de cansado e coberto de uma película esbranquiçada que ao ser sacudida levantava uma nuvem de pó branco no ar.

Nove horas depois de partir estava de novo ali. Eram 19h20 quando encostei ao carro, depois de umas voltas ao jardim para arrefecer um pouco. Fazia muito tempo que não sentia aquele aperto inicial de câimbras e chegou a acontecer-me algures lá para trás durante a Escudeira e mesmo na descida seguinte. Depois de uns demorados alongamentos e da bicicleta arrumada sento-me finalmente ao volante. Parecia manteiga o sofá que agora tinha debaixo do rabo.

- Menos um na pasta dos Projectos!

Agora sim, podia dizê-lo em alto e bom som e apreciar o fugaz momento, pois assim que rodo a chave na ignição e o motor arranca, tudo se esfuma num ápice e a realidade apodera-se de novo de mim. Estava atrasadíssimo para o jantar, no Cacém, em casa dos meus pais.

No rádio entoava uma canção que entrava que nem ginjas no momento...

“Quando a cabeça
não tem juizo,
O corpo é que paga...
Deixa-o pagar, deixa-o pagar,
Se tu estás a gostar...”


Fazendo as contas – olhando para o gps, melhor dizendo – acabei por pedalar 76km, durante pouco menos de 7 horas de pedal e as restantes nas necessárias paragens pelo caminho. Trepei um total 2492 metros e desci outro tanto, com uma média de 11,6km/h. Consumi perto de 7 litros de água e devo ter deixado no caminho igual percentagem de suor.

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Já só me resta agradecer, de novo, ao "patrocinador" de tão espectacular passeio...
Obrigado Leonix, pela aventura que me proporcionaste!

A galeria completa de fotos pode ser vista aqui: Arrábida75
Este fabuloso Track pode ser conseguido aqui: Tracks4You

Abraços