Páginas

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Monsanto, a day without rain!

Monsanto saiu-me melhor que a encomenda!

Os trilhos, na maioria das zonas do parque, estavam perto da perfeição. Húmidos, mas não demasiado escorregadios, com um grip incrível sem estarem demasiado empapados, permitindo um rolar tranquilo e sem grandes preocupações com lamas. Até as raízes e pedras se mantinham em condições bastante aceitáveis de tracção, permitindo rolar relativamente descontraído na maioria dos caminhos e singletracks.

O tempo juntou-se à festa com excelentes condições para uma manhã ao mais alto nível. Algum vento, mas nada demais, fresco mas sem frio extremo e nem um pingo de chuva apesar de um céu cinzento ameaçar descarregar todos os metros cúbicos de água armazenados nas alturas a qualquer momento.

Tinha feito convite aos meus amigos da Santa Malta para me acompanharem nesta manhã de Inverno, mas com medo da chuva e da lama nenhum deles se atreveu a rumar à margem oposta do rio para comigo percorrer os quase 40kms de um percurso exigente mas também divertido e descontraído, com as dificuldades bem distribuídas e com passagem por quase todos os locais emblemáticos do Parque e até um bocadinho para lá dos seus limites.
Ficaram-se pela comodidade dos trilhos do seu quintal, mas ficaram a perder! E não apanharam de certeza melhores condições do que as que Monsanto apresentou neste Domingo.

Eu, após quase 10kms pelas ciclovias de uma Lisboa ainda mal acordada e de ramelas nos olhos, entrei nos trilhos do parque pouco passava das 09h, já depois de ter efectuado uma breve paragem no Califa para a segunda injecção de cafeína à qual juntei um Nata ainda quentinho.
Constato que os trilhos mais usados pela malta estão em mau estado e muito enlameados mas aqueles mais protegidos e menos percorridos estão absolutamente excepcionais. Os caminhos e singletracks vão surgindo e a diversão vai aumentando à medida que vou ficando mais em sintonia com o estado do terreno.

Em jeito de pequena nota de rodapé, voltei a calçar na frente da minha bicicleta o meu tão bem conhecido Schwalbe Nobby Nic (2.25). Pneu absolutamente à vontade para lidar com quase todo o tipo de piso e no qual confio em pleno. Durante muitos anos foram os meus pneumáticos de eleição e voltei hoje a relembrar-me do porquê. Com a pressão correcta curvam como poucos e nestas condições então, ui, parecem mel!
Entrou a substituir um Hutchinson Toro XC Tubeless que estava pela hora da morte e pese embora não seja na versão Tubeless, o Nobby Nic é claramente superior a lidar com piso de Inverno de uma forma geral. O pneu que ainda tenho montado na traseira é que perde um bocadinho neste terreno, mas ainda assim, aguenta-se relativamente bem se nos soubermos posicionar em cima da bike e ajudar o pneu a arranjar o necessário grip quando este lhe falta... Mas, honras lhe sejam feitas, o Maxxis Crossmark rola que se farta e é nesse campo que dá cartas!

As primeiras subidas duras da manhã vão aparecendo e vão sendo ultrapassadas com celeridade e potência de sobra. Sentia-me bem e motivado. O tempo fresco convidava a dar tudo por tudo nas subidas sem correr o risco de um ficar empapado em suor!
Com algum à vontade ia esmagando pedal pelas rampas acima, negociando raízes e pedras quase como se não estivessem lá.
Podia adivinhar os meus anteriores Personal Records (PR) do Strava a serem esmagados com os novos tempos! É sempre bom ter essa motivação extra para se meter força nas alavancas dos pedais quando ela tende a fugir para outras paragens...

Sempre sem surpresas nos trilhos mais técnicos acabei por sofrer uma escorregadela num singletrack simples e fluído, mas em Off camber  e já bem perto do Hospital S. Francisco Xavier, ainda antes de nova paragem para mais um café que fui fazer no McDonalds do Restelo.
Foi mais uma pseuda-queda. Uma escorregadela ao estilo "Moto GP" em que me fugiu a traseira - a frente manteve-se bem agarrada no chão - a meio de uma curva mais fechada num divertido singletrack. Absolutamente sem nenhuma consequência a não ser sujar a palma da mão e o lado esquerdo dos calções com lama. Uma escorregadela divertida de 180º (!)

Perto de Algés inverto novamente o sentido maioritariamente descendente dos trilhos para iniciar a subida até ao alto dos Montes Claros, passando pelo Restelo. Sigo, sempre por trilhos brutais em excelente estado, até ao Parque do Alvito passando pela zona do Anfiteatro Keil do Amaral, onde aproveito para rolar um pouco numa das zonas mais tranquilas, em termos de caminhos, de todo o percurso. A partir daqui volto a embrenhar-me e bem na imensidão dos singletracks do parque e percorro algumas da pérolas que a vegetação esconde e só acessíveis a quem conhece. Um novelo de caminhos leva-nos onde quisermos, mas é necessário ter alguma noção do sitio envolvente porque é fácil um se perder.

Após passarmos para o lado N da A5 desço durante uns quilómetros para me ir deliciar com a grande subida paralela à Auto-Estrada, uma das maiores - se não mesmo a maior - da zona! Um luxo de subida e que deu gosto vencer.
Mais que não seja porque sabia que após esta grande subida iria ter mais uns minutos de descanso no Restaurante Monte Verde e onde iria poder pedir uma Cola para empurrar a sandocha de queijo e presunto que levava na sacola.
A paragem, não durando mais de uns 15 minutos foi a suficiente para me retemperar forças e deixar a barriga aconchegada até final.
Serviu também para sacar umas fotos que carreguei para o Facebook e Instagram, junto com um brinde à malta amiga e que não foi com medo da chuva e lama...


A minha máquina orgulhosa, ostentando o valente Nobby Nic na frente...
E na foto parva abaixo, o vosso mais parvo ainda, cronista e amigo, enquanto brindava aos companheiros que se baldaram e que o deixaram a pedalar sozinho no meio do monte, coitadinho(!)


Após tudo arrumado novamente, e de pilhas novas carregadas no GPS e do telefone ligado ao Powerbank lá me fiz ao resto do caminho para apreciar o que restava deste percurso bombástico.
Nesta zona alta e mais acessível - e assim, mais batida - apanhei alguns trilhos com bastante lama, mas sempre perfeitamente transitáveis.
Mas assim que me voltei a meter pelo mato a dentro, os trilhos voltaram a ficar excepcionais, muito perto do ideal, com alto grip, providenciando grandes sensações.

Ainda antes de largar os trilhos do Monsanto, subi ao Moinho das 3 Cruzes, já do lado do Parque do Calhau, depois de ter passado novamente pela zona do Caminho da Água que oferece mais umas valentes rampas para trepar, algumas delas já a obrigarem as pernas a irem buscar as reservas ao raio que as parta!


Sigo na direcção de Campolide e apanho novamente a ciclovia de regresso a casa no Jardim da Amnistia Internacional, a qual sigo até ao Palácio da Justiça nas costas do Parque Eduardo VII.
Passo por baixo da Ponte Monsanto e rumo à ciclovia da Avª Duque de Ávila até esta cruzar com uma das principais ruas da Capital.

Uns minutos depois acontecia o insólito e quase me matava(!)
Não acreditam?!
Eu conto-vos como me ia matando, sozinho, a circular em asfalto, a mais de 30km/h...

Numa zona onde a rua descia ligeiramente, sem carros atrás nem carros à frente e com a linha de semáforos toda aberta, sigo a esmagar os pedais para aproveitar a onda "verde" e não parar nos vermelhos e perder o embalo.
Descontraidamente e a determinada altura, tiro as mãos do guiador, como já fiz milhares de vezes antes para esticar as costas e libertar alguma tensão dos ombros...
Numa fracção de segundo e devido a uma pequena lomba no asfalto, perco o controlo da bicicleta e esta foge-me para a direita na direcção do passeio e dos carros estacionados na berma da via.
A mais de 30Km/h entro por um espaço livre de carros - dois lugares vagos para ser mais preciso - e percebo de imediato que não vou ter tempo para parar sem me esmagar contra a traseira do próximo carro que estava estacionado.
E foi tal e qual o que aconteceu.
No exacto momento em que percebo a iminência do desastre assalta-me a frase: "Já foste!"
Agarro-me instintivamente aos travões com toda a força mesmo sabendo que não vou conseguir impedir o impacto.
Quando embato na traseira do carro estacionado ainda a minha roda traseira não tinha tocado no chão da tremenda égua que saquei. No milésimo anterior ao impacto tinham-se dissipado todas as dúvidas de que me iria magoar a sério.
Tudo termina com o estrondo normal de um acidente e com aquele som característico de um choque entre veículos.
Sou projectado contra o vidro traseiro no qual bati com a cara e capacete, enquanto o joelho esquerdo embate violentamente contra o parachoques e o meu peito contra a parte de cima da mala do Honda Civic. O impacto foi de uma violência brutal.

Aguento-me de pé, dormente, uns segundos antes de me sentar no chão, depois de sair de cima da traseira do carro.
Duas velhotas que circulavam no passeio, incrédulas, perguntam-se se estou em condições de continuar. Eu aceno afirmativamente após uns momentos de "check up" sensorial....
Estava inteiro e apenas me doía intensamente a mão esquerda e o joelho esquerdo.
Sentia uma ligeira impressão na cara e o maxilar estava meio dormente mas estava todo inteiro. Assim como os restantes ossos do corpo, miraculosamente.

Levanto-me do alcatrão e vou-me sentar na berma do passeio. Um senhor que estava do outro lado da estrada aproxima-se de mim.
Vem-me perguntar se queria que chamasse alguém. Uma ambulância ou mesmo o INEM. Dizia que morava do outro lado da rua e que me poderia guardar a bicicleta inclusive se eu quisesse.
Agradeço-lhe mas volto a afirmar que estava em condições de continuar.
No momento em que vou levantar a bike que continuava caída no chão sou assaltado pela dúvida que se calhar, mesmo eu estando em condições de continuar, a bicicleta poderia não estar. Mas estava.
Nem um empeno, nem uma arranhadela, nada! Assim como na traseira do antigo Civic.
Que puta de sorte!

Encosto a bike à parede do prédio e sento-me novamente nos degraus ao lado.
Tento recompor-me como posso do susto.
As dores não me deixam raciocinar e resolvo fazer-me ao caminho...
Passo os terrenos da antiga Feira Popular e apanho a ciclovia perto do Campo Grande até à Avª do Brasil. Subo tudo num ritmo tranquilo. As dores no joelho estavam a amainar na exacta proporção em que aumentavam as da mão esquerda.
Chego aos Olivais e desço pelo singletrack do Vale do Silêncio. Mais umas pedaladas e estou em casa.

Pelo caminho só pensava na sorte que tinha tido, ainda mal refeito do susto. Num abrir e fechar de olhos poderia ter-me magoado mesmo à séria. Numa fracção de segundo e de uma forma tão estúpida...
Enfim, é assim que as coisas más acontecem, numa fracção de segundo e num abrir e fechar de olhos, eu sei. Mas assusta quando as vivemos assim tão de perto...

A mão ficou só um bocadinho negra e o joelho, um bocadinho esfolado. A cara pouco ou nada apresentava sinais de testemunha, mas o orgulho... Ai senhores, o orgulho...

NOTA:
Para esclarecer, não houve lugar a danos no carro estacionado!
Nem na bike, nem no carro. Apenas aqui no vosso amigo, que dois dias depois ainda lhe doem as costelas!



O track GPS pode ser descarregado aqui: Tracks GPS 
Ou aqui: http://www.gpsies.com/map.do?fileId=eelskjtdpsvmpoec

Vemo-nos por aí.
Abraçorros!

2 comentários:

  1. Boa tarde,
    Aconselhava a relatar o contacto com o dono da viatura acidentada e o resultado da inspecção conjunta, para que não fique no ar a dúvida de uma fuga às responsabilidades. Ab,

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa tarde Vik.

      Não houve danos "físicos" em nenhuma das viaturas, felizmente.
      Nem numa nem noutra!
      Ou melhor, houve danos sim mas no físico aqui do artista que ainda hoje lhe doem as costelas!

      Abraço

      Eliminar